Saúde em geral


Esta manhã, conferindo os posts do Facebook, vejo a chamada do Istituto Europeo di Oncologia (IEO) para um artigo numa das revistas que mais aprecio na Itália. Trata-se de um semanário feminino de 302 páginas do jornal La Repubblica, denominado La Repubblica D (delle Donne [das mulheres]). O nome, por si, já é bastante simpático. O conteúdo, de peso. É lá que li a matéria intitulada Il cancro é sentimentale [O câncer é sentimental].

Após esses anos de jornalismo especializado em saúde e medicina, eu já conversei com muitos oncologistas. Um deles me disse textualmente, enquanto eu tentava explicar-lhe do que se tratava a medicina integrativa: “eu sou muito aberto às práticas complementares, mas antes de tudo sou um cientista. O câncer está relacionado a uma modificação genética. E custo a crer que ele seja influenciado por sentimentos.” Tentei argumentar com postura de piquete. Sem sucesso.

Mas hoje fui apresentada a Christian Boukaram, oncologista canadense e autor do livro Le pouvoir  anticancer des emotions [O poder anticâncer das emoções, sem trad. para o português], que não teve prurido em declarar que quando iniciou seu trabalho, ele tinha a mesma opinião de meu interlocutor: “não existe nenhuma relação entre mente e saúde. É uma questão de DNA e basta!” Tudo isso para, depois, concluir – “Eu estava errado. Falta uma peça nesse quebra cabeça e ela diz respeito à esfera psíquica.” Ah, então, pensamentos, emoções, tipo de personalidade, estilo de vida e ego são mesmo importantes no aparecimento e na gravidade da doença? Sei…

A tese de Boukaram tem sido objeto de inúmeras pesquisas. Testes em animais com tumores  medicados com adrenalina, o hormônio do estresse, aumentaram em 30 vezes a agressividade da doença e o aparecimento de metástase. E como adoro estudos que são publicados no Pubmed, conferi as conclusões de uma investigação de Stanford (EUA), sob a direção do psiquiatra David Spiegel – veiculada na revista Psychoncology: Mind matters in cancer survival [A mente é relevante na sobrevivência do câncer].

A experiência clínica da mastologista do IEO, Giovanna Gatti, engrossa o caldo: a maioria das mulheres afetadas por um câncer de mama, e não há explicação para isso, nos meses anteriores ao diagnóstico relatam ter passado por um trauma, um grande dissabor. “A consequência são estados depressivos mais ou menos reconhecidos.”

 Isso seria apenas uma coincidência?

Outro oncologista do IEO, Aron Goldhirsch confirma esse quadro, mas entende ser impossível estabelecer este nexo causal. “O câncer e a depressão são duas doenças muito difusas.”, fala.

Por instantes achei que estava lendo uma frase do físico Amit Goswami – “quando a pessoa sabe que tem um tumor, a consciência de ter uma doença é um dos piores gatilhos para reconquistar a saúde”, declarou Gatti. O físico indiano radicado nos EUA sugere que os médicos do futuro dirão: “Agora que você tem a doença pode dar a ela um significado positivo em vez de negativo… A doença é uma oportunidade de autoconhecimento. Sua mente, energias vitais e representações físicas poderão, finalmente, atuar em perfeita harmonia, levando-o à cura”.

Para Boukaram “O câncer não é uma falência, e nem mesmo a morte o é. Trata-se de uma dificuldade, e pode ser uma ocasião para trabalhar a reconexão com o seu centro”. “A influência da mente é difícil de ser mensurada cientificamente, e porque falamos de uma coisa subjetiva. Mas encontrar um sentido para a própria vida e para a doença ajuda muitíssimo.”

Apesar do ceticismo, Goldhirsch declara, “As terapias mais avançadas e eficazes são só uma parte do tratamento. A chamada “compliance”, isto é, a adesão e colaboração do paciente são necessárias e pressupõem a presença de emoções positivas e de uma razão para viver”.

Ora, o que é isso senão um convite ao autocuidado, um dos pilares da medicina integrativa?

Num evento sobre o avanço dos pacientes geriátricos no Brasil, o geriatra Roberto Miranda, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) contou que as faculdades médicas já estão entendendo esse tipo de abordagem e estão se movimentando para que os alunos introjetem o significado de uma medicina preventiva e multidisciplinar. “Meditação, ioga, homeopatia reforçam o sistema imunitário e são utilizados em vários centros”, relatam todos os especialistas.

Do outro lado dos debates, ficamos nós. Completamente vulneráveis.

Cientes disso, busquemos colocar em prática a tal da compliance, aderindo, a nosso favor, à busca de sentido, ou mais sentidos, para nos tornarmos protagonistas equilibrados desta tão preciosa vida.

Ontem, na mesa de um restaurante vegetariano com duas pessoas queridas, falávamos da nova paternidade. Essa que vemos crescer todos os dias ao nosso lado. São novos homens que, sem nunca terem vivido uma gestação ou o estado de graça de sentir os primeiros movimentos do bebê em seu corpo, e nem a glória de dar a luz, se transformaram em verdadeiros receptáculos de oxitocina ambulantes.

Geralmente eles são pais separados movidos pelo intenso senso de dever em relação a seus filhos. E essa parece ser a resposta natural à distância física imposta pela decisão do divórcio, motivo de lágrimas e preocupações, além do sentimento de ciúmes diante de um novo “pássaro” à espreita do primeiro ninho. Isso faz deles mais femininos no que diz respeito a algo muito conhecido pelas mulheres. Assim como para nós é imprescindível construir um ninho e mantê-lo quente o bastante para continuar a gerar a vida (em todos os níveis), eles passam a construir os seus para acolher os ovos que permaneceram sob a guarda de suas antigas fêmeas. Aí eles vão cultivando a habilidade de nutrir, acolher, estar presentes como verdadeiros guardiões de ovos. O curioso é que esse cuidado, muitas vezes, beira à obsessão, pois é comum que seja uma maneira de compensar o que eles julgam ser o ponto fraco das mães dessas crianças – elas foram ou são pouco maternais. Então, eles assumem quase todas as obrigações que poderiam ser saudavelmente partilhadas… os ovos não podem quebrar!

É nessa espécie de vigília continuada que eles sonham com o futuro desses filhos, e se regojizam com a obra que foram capazes de gerar e, agora, cuidar. Um de meus mais queridos amigos, hoje sobre o degrau de seus 60 anos, foi personagem de uma grande reportagem da TV Globo. Separado de sua mulher, ele teria batido o record de presença na vida de sua amada filha. Quando a reportagem foi ao ar, recebi um longo telefonema – isso sim é que é ser reconhecido publicamente, ele dizia!

Mas apesar da ciência ter reconhecido que, ainda nos primeiros meses da gestação de suas parceiras, esses homens já passam por transformações hormonais – níveis de testosterona e cortisol – preciso aqui registrar que a paternidade, assim como a maternidade vai muito mais além de sermos capazes de trazer ao mundo uma nova vida, e por meio dela tentar contribuir para que nele habite alguma pessoa de valor. Esse é um de nossos principais deveres morais como pais.

É que, com o correr dos anos, essas criaturas passam a nos surpreender. E nossas certezas vão esmaecendo na mesma medida em que percebemos que temos em casa mestres que nos escolheram como discípulos, sem que tivéssemos consciência disso. E é assim que vamos amadurecendo enquanto eles florescem em primaveras constantes nos limites lineares de nossos ninhos.

A beleza desse florescer é tão arrebatadora que é impossível não parar para reverenciá-la.

Através de meus filhos aprendo todos os dias o que é amar, partilhar. Por meio deles é que vi que não tinha que ser um rocha sólida para que eles pudessem se apoiar. Eu apenas tinha que ser quem eu sou: humana, vivendo os altos e baixos de minha própria existência. E foi com eles que aprendi a chorar. Um dia, uma pequena menina loira, de olhinhos azuis como o céu me disse – mas mamãe, você nunca chora? Quem era essa terapeutazinha de 7 anos capaz de tocar meu coração absoluto e arrogante me dizendo que – okay – você, também, pode chorar (piar)!

E tem sido assim, todos os dias dessa longa caminhada em que, muitas vezes, já os vejo querendo construir seus próprios ninhos, mas carregam no bico gravetos a mais, pois é preciso saber que estarei bem.  Claro, ainda não precisam me dar comida na boca!!!!!!!! Mas é na mesa de nossas refeições que falamos sem medo sobre nossos medos e anseios. Enquanto me maquio diante do espelho da longa pia dupla do banheiro, vejo refletida a imagem de uma jovem que lerá muitos mais livros do que eu, e que já me mostra que será capaz de cuidar de si muito bem em qualquer árvore do mundo. É da pequena boca rosada por um gloss Dior, que agora saem as palavras que acalmam a minha alma sempre tão inquieta… é ela quem me pede calma, coloca suavemente meus pés no chão. É ela quem, diante do meu pesar me diz – vamos tomar um chazinho? Ou na minha alegria imensa, jamais esquece de dizer – você merece!

É assim que o amor transborda. E dirigindo para o trabalho, me emociono com a ideia de que eu poderia morrer se não tivesse esse tipo de amor na vida. E, assim, ligo apressadamente para o celular dela. Ela não responde. Quero dizer-lhe que sou muito grata por poder ser sua mãe. Deixo um recado. No final do dia nos encontramos. Ela então me diz – “só agora vi seu recado. Deixei o celular em casa. Vem aqui. Eu me aproximo e ela me abraça em silêncio. Depois, olhando nos meus olhos me diz: sou eu quem tenho uma sorte imensa de ter uma mãe como você!

Como o sol já se escondera há horas, abri minhas grandes asas para proteger esse amor da brisa fresca da noite. Não seria diferente na casa de tantos pais solteiros nesta sexta-feira, dia em que seus passarinhos ali se recolhem.

Há menos de um ano, escrevi este post. Pela atualidade do tema, o repito nesta data.

“Ontem à tarde fui à Sala São Paulo, e passei diante da antiga rodoviária, agora desapropriada para a construção de mais um milionário projeto arquitetônico. Me lembrei do dia em que completei 15 anos, e do presente de aniversário que pedi a meu pai: uma viagem. Sozinha, e de ônibus. Nascida na capital de São Paulo, o meu sonho era conhecer uma certa cidade do interior. Numa manhã fria de julho, ele me acompanhou até o pequeno escritório do Juizado de Menores, e assinou, meio preocupado, uma autorização para que eu partisse para o meu destino. Uma rodoviária nunca é bonita, mas há sempre um certo charme nos rostos daqueles que por ali passam: são as chegadas e partidas, e as histórias e sonhos que cada um traz em suas malas.

Todo esse cenário seria apenas uma lembrança agradável, não fosse o horror que se tornou aquela região. Antes mesmo das 18h00 eu já estava voltando para casa, e o fluxo do tráfego me fez passar por uma rua chamada Helvetia. Curiosamente, esse nome nos remete às origens celtas da Suíça, modelo de qualidade de vida em todo o mundo.

Como estamos no outono, a noite caía e o trânsito já estava lento porque se tratava de uma sexta feira. Os carros ficaram ali enfileirados, mas se pudessem teriam alçado voo, o mais rápido possível.  Vi então o que todo mundo viu e fingiu não ver. Olhei ao redor para observar a reação dos motoristas. Em seus rostos não havia algum sentimento. Todos pareciam anestesiados diante das centenas de pessoas amontoadas. Sujas e maltrapilhas. Pareciam participar de um macabro ritual, pois a maioria estava sentada no chão ou de cócoras. Era impossível ver seus olhos e a cor de suas peles. Eles eram brancos e negros, mas a maioria tinha uma cor acizentada, borralheiros que jamais se tranformarão em príncipes. A pouca luz e a dor da miséria encobria seus rostos. Vi poucas mulheres, mas elas estavam por ali. Todos me pareceram muito jovens. Mas não dava para saber que idade tinham: seus corpos, mentes e almas não são deste mundo,  pois ali é outro mundo: a Cracolândia.

Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate [Percam a esperança, vocês que entram] – Dante me falou à mente. O inferno è aqui?, me perguntei. O que teria feito essa gente para merecer tamanha danação? Talvez essa rua seja um portal que leva ao inferno… Nos breves minutos que fiquei ali parada, blindada por uma fina parede de lata e vidros, testemunhei a vida como ela é,  e que acontecia esquisofrênica do lado de fora. Tive vontade de chorar. E rezei sinceramente.

Na Divina Comédia, Dante, assombrado pela inscrição advertindo que é impossível escapar do inferno, foi consolado por Virgílio que lhe disse que a misericórdia divina desejou garantir aos homens que a justiça pode e deve ser feita com a efetiva punição dos maus. Nesse momento, uma nuvem de vespas, vermes e varejeiras se aproximou de Dante – eram as almas rejeitadas até pelo inferno, almas que não merecem nem punição nem recompensa.

As almas que vi nas calçadas da nossa Suíça eram o retrato desse limbo. Não existe tempo, nem esperança. Há apenas a escuridão. Vidas consumidas por vermes, varejeiras e vespas sob o céu aberto da cidade.

Quem são essas pessoas? Doentes, e não um caso de polícia. Mas suas vidas não têm valor. A vida deles não merece nem punição, nem recompensa.  Li em algum lugar que, se o Estado não tem sensibilidade suficiente para detectar as necessidades de um povo, corre o risco de ver deteriorada ou perdida sua legitimidade.

Finalizo com a reflexão do sociólogo italiano Domenico de Masi que, prevendo há mais de dez anos uma possível inversão de lideranças, afirmou que é a sociedade (jovens, mulheres, artistas, desocupados, imigrantes, aposentados e voluntários) que antecipa valores, necessidades e até instrumentos operativos que dirigentes de todo tipo se obstinam em não compreender e não adotar. (*Il futuro del lavoro, fatica, ozio nella società postindustriale).

 Quando teremos Saúde em abundância nesta cidade?”

 

Toda celebridade conhece a dor e a delícia de ser famoso. Quando este alguém é Reynaldo Gianecchini, a coisa pode ser pior. Jovem, bonito, bem sucedido, ele foi alçado ao patamar dos pobres mortais para quem a vida acontece sem pedir licença. Ter um diagnóstico de linfoma, um câncer onde células normais se transformam em células malignas e passam a crescer desordenadamente por todo o corpo, é incurável, mas o tratamento (dependendo do tipo de linfoma) pode levar ao controle dos sintomas e, portanto, da doença por vários anos, não é fácil para ninguém.

E o que um paciente com esse diagnóstico deseja além de encontrar uma esperança de cura? Penso que se espera poder ter o apoio dos parentes, amigos, pessoas capazes de se solidarizar com o mistério que representa a doença na vida das pessoas. Considerando a questão a partir da medicina integrativa, esta seria a oportunidade de refletir o que é possível ser feito para mudar as formas de viver, já que a doença está aí – e portanto, deu-se espaço para que ela se instalasse. A busca pela espiritualidade é o pretexto para refletir sobre o sentido da vida e da morte. E ela tem sido grande aliada da medicina, apesar do ceticismo reinante.

O fato é que os cientistas já comprovaram que quanto maior o nível de religiosidade, menor a atividade do córtex cingular anterior, vinculado ao controle inconsciente do perigo e dos problemas. O achado foi batizado de Marcador Neural de Convicções Religiosas. Tendo sido aluna do médico Mario Peres, pesquisador sênior do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, pude aprender que existem muitos estudos epidemiológicos que evidenciam os benefícios da fé, da espiritualidade ou religiosidade para doenças mentais, menor prevalência de depressão, abuso de drogas e suicídio, melhor qualidade de vida, maior capacidade de lidar com a doença, menor mortalidade e tempo de internação, e ainda melhora da função imunológica.

Chamem isso de autoengano, placebo, o que quiserem. Mas esses resultados não são diferentes dos encontrados um dia pelo psiquiatra e neurologista Viktor Frankl, e que ele relata no famoso livro – Um sentido para a vida: “a sobrevivência depende da capacidade de orientar a própria vida em direção a um ‘para que coisa’ ou um ‘para quem’. Em outros termos, a existência depende da capacidade de transcender o próprio eu… o ser humano deve sempre estar endereçado, deve sempre apontar para qualquer coisa ou qualquer um diverso dele próprio, ou seja, para um sentido a realizar ou para outro ser humano a encontrar, para uma causa à qual consagrar-se ou para uma pessoa a quem amar. Somente na medida em que consegue viver esta autotranscendência da existência humana, alguém é autenticamente homem e autenticamente si próprio…”.

Apoiar-se na espiritualidade pode, então, ser mesmo um caminho ao esquecimento de si mesmo para alcançar a cura ou, ao menos, suportar a dor da completa impotência diante da magnanimidade da natureza. O que me deixa perplexa é que, para quem é famoso, todo esse processo de autoconhecimento, autotranscendência é objeto de notícia de revista de grande circulação nacional. Isso significa que é impossível vivenciar essa experiência com a privacidade desejável. Durante muito tempo, um de nossos presidentes, foi a inspiração para a caricatura do mau humor e do desejo de distanciar-se do povo e da mídia por causa de sua declaração – Quero que me esqueçam!

Olhando com a distância do tempo, acho que essa também é a vontade de Gianecchini, ou de qualquer outra pessoa na mesma circunstância. Tudo o que ele precisa agora é de tempo, silêncio e cuidados. E que esse caminho lhe traga o bem maior – um sentido para a sua própria doença e sua vida.

A Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac) lança a Campanha pulsAção: sentindo o ritmo do seu coração. O objetivo é conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e da adoção de tratamento adequado para a Fibrilação Atrial. De alcance nacional, a Campanha terá ação interativa em São Paulo, no próximo dia 4 de agosto, no vão livre do MASP.

Dentre as atividades do mini-circuito realizado na capital paulista está uma apresentação lúdica na qual um percussionista ilustrará, por meio de um instrumento musical, a diferença entre um ritmo cardíaco normal e o ritmo de um coração com fibrilação atrial.

O público presente também poderá conferir vídeos demonstrativos em notebooks, com explicações e ilustrações do funcionamento do coração com e sem a doença, podendo ainda levar para sua casa folders com todo o material descritivo sobre o tema.

“Pouco se fala da fibrilação atrial, mas a sua divulgação é importante, pois se trata de uma doença muitas vezes silenciosa, que pode gerar sérias consequências, como o AVC e a insuficiência cardíaca”, explica Dr. Guilherme Fenelon, presidente da Sobrac.

A fibrilação atrial é o tipo de arritmia cardíaca sustentada mais comum nas consultas clínicas, e já afeta 2,5% da população¹. É caracterizada pela desorganização da atividade elétrica dos átrios (câmaras superiores do coração), fazendo com que o ritmo atrial se torne rápido e irregular, além dos átrios perderem a sua capacidade de contração.

Os sintomas da doença incluem palpitações, falta de ar, tontura, dor no peito e cansaço, mas pode também ser completamente assintomática. No coração, a fibrilação atrial altera a função cardíaca, favorecendo o desenvolvimento da insuficiência cardíaca e a formação de trombos de sangue dentro do coração, podendo, dessa forma, causar um derrame, também conhecido como acidente vascular cerebral (AVC). As chances de um portador da doença sofrer um AVC são de cinco a sete vezes maiores do que a de uma pessoa que não tem a doença.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de um em cada 10 mil jovens normais tem fibrilação atrial. Nesses indivíduos, a doença é geralmente intermitente, mas pode se tornar crônica em 25% dos casos. Esta condição pode ser provocada por estresse, álcool e fumo, porém na maioria das vezes não possui uma causa aparente.

O diagnóstico precoce e o controle da fibrilação atrial são de extrema importância para evitar as complicações da doença, que podem levar ao derrame (AVC).

Inicialmente, o tratamento da arritmia é feito com medicamentos antiarrítmicos. Além disso, pacientes com maior risco (idade acima de 75 anos, hipertensos, diabéticos, com insuficiência cardíaca, ou que já tiveram AVC) devem fazer a prevenção do AVC com remédios anticoagulantes.

Pacientes que não respondem ou são intolerantes ao tratamento medicamentoso podem se beneficiar da ablação por cateter, principalmente aqueles mais jovens, com muitos sintomas e sem doença cardíaca significativa. Em pacientes com essas características, a ablação por cateter é considerada um procedimento seguro e eficaz para a correção da fibrilação atrial, reduzindo em 65% o risco de recorrência da fibrilação em comparação aos medicamentos antiarrítmicos pelo período de um ano.

Essa prática consiste na introdução de cateteres pelo sistema circulatório periférico. Os cateteres são guiados até o coração, onde isolam ou eliminam as áreas de tecido atrial responsáveis por gerar uma atividade elétrica irregular. O tipo de cateter para ablação mais comum usa energia de radiofrequência para “cauterizar” o tecido do coração, criando uma cicatriz que impede novas descargas irregulares.

Já existem no Brasil procedimentos de ablação em que o médico consegue ter um mapeamento 3D do sistema elétrico do coração e visualizar os cateteres sem o uso de aparelhos de Raios-X, diminuindo a exposição do paciente e da equipe médica à radiação e aumentando a precisão do procedimento.

A campanha pulsAção: sentindo o ritmo do seu coração tem o apoio da Biosense Webster, líder no segmento de diagnóstico e tratamento das arritmias cardíacas.

Serviço

pulsAção: sentindo o ritmo do seu coração

Data: 4 de agosto

Horário: das 7 às 15 horas

Local: Vão Livre do MASP – Av. Paulista, 1578 – sentido Centro/Bairro

Para saber mais: www.ritmodocoração.com.br

[1] Estudo da SOBRAC (Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca) e do DECA (Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular) de 2009, com base em dados oficiais do Ministério da Saúde, referentes a 2007.

Em dezembro de 1940, foi publicado o Decreto-Lei n.º 2.848, estabelecendo o Código Penal Brasileiro (CPB). O artigo 124 define ser crime provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque, sob pena de detenção de 1 a 3 anos. O artigo 126, por sua vez, diz que quem provoca aborto, mesmo com o consentimento da gestante, pode ser punido com reclusão de 1 a 4 anos. Na sequência, o artigo 128 estabelece os casos de impossibilidade de punição por aborto praticado por médico: se não houver outro meio de salvar a vida da gestante, ou se a gravidez resulta de estupro, e o aborto for consentido pela gestante ou seu representante legal.

Em 1970, trinta anos após a promulgação da lei penal, foi publicado por Garrett, Robinson e Kossoff o primeiro trabalho científico demonstrando a possibilidade de detecção de malformações fetais por ultrassom. Passados quase meio século dessa descoberta, e mais de setenta anos da publicação daquela legislação, o mundo mudou. Com a melhoria da qualidade de atendimento pré natal no Brasil, a maioria das gestantes faz um ou mais exames de ultrassom durante a gestação, e já na 11ª semana de gestação é possível detectar com precisão se o feto tem anencefalia.

É sabido que no Brasil acontecem mais de 3 milhões de gestações por ano, e estima-se a detecção de oito novos casos desse tipo por dia. A comunicação desse diagnóstico aos pais é um momento dramático, pois o sonho de convívio com um filho acabou naquele momento. Não bastasse isso, esse casal passa a ter consciência do maior risco para eles de passar pela mesma experiência dolorosa novamente, em futuras gestações.

Na década de 1940 não existia o ultrassom gestacional, e a duração do sofrimento dos casais, em casos de anencefalia, era de segundos ou minutos, raramente algumas horas, pois o médico só identificava que o feto tinha anencefalia no momento do parto. O casal era então informado que seu filho nasceu com uma má formação incompatível com a vida, e por isso foi a óbito. Iniciava-se o período de luto imediatamente, e não havia o dilema ético e legal hoje existente.

Como o diagnóstico agora é feito no início da gestação, o casal tem de aguardar de 25 a 29 semanas de gestação para enterrar o filho logo após o nascimento. Claro que muitos casais preferem esperar até o final da gestação para interromper esse período difícil em suas vidas, e a opinião deles deve ser respeitada. Porém, outros casais gostariam de optar pela antecipação imediata do parto, iniciar imediatamente o luto, se recuperar e planejar uma nova gestação.

Há setenta anos essa segunda opção é considerada um crime pelo Estado brasileiro. Fundamental ressaltar que o que está em julgamento no Superior Tribunal Federal (STF) não é qual das duas atitudes é a mais correta, mas se a segunda opção deve persistir sendo crime após tantos anos da publicação do CPB, ou se o mundo mudou a ponto da lei ter de ser atualizada.

É importante ressaltar que cerca da metade dos fetos com anencefalia morre ainda durante a gestação e praticamente todos os demais vão morrer nas primeiras horas após o parto. A condição é inexoravelmente letal. Seria uma ótima oportunidade, e de grande utilidade aos cidadãos brasileiros, que o STF aproveitasse o momento e julgasse também se já pode ser considerado crime a inoperância do Ministério da Saúde, que em outubro de 2004 instituiu um grupo de trabalho para sistematizar uma proposta de Política Nacional de Atenção à Saúde em Genética Clínica, e implementar em 180 dias sua inserção no SUS. Porém, passados quase sete anos, mantém engavetado o projeto, pronto para ser publicado desde 2009.

Entre outros benefícios educacionais de baixo custo que a implantação do atendimento de genética no SUS traria a 150 milhões de brasileiros que dependem do atendimento público, está a difusão entre as mulheres em período reprodutivo, do conceito médico de que a administração medicamentosa de ácido fólico um a dois meses antes da gestação reduz o risco de anencefalia fetal pela metade. Trata-se da prática de uma medicina profilática, que evitaria que boa parte dos casos de anencefalia chegasse a ocorrer, minimizando o sofrimento e as difíceis decisões que esses casais talvez poderão e precisarão tomar, caso a antecipação do parto em casos de anencefalia fetal seja descriminalizada pelo STF.

Guest Blogger: Dr. Salmo Raskin, diretor da Sociedade Brasileira de Genética Médica.

Na qualidade de diretor da  Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), entendo que é necessário apelar para o Senado Federal, solicitando uma nova audiência pública sobre a proposta da ANVISA para banir do mercado brasileiro os inibidores de apetite.

A razão para isso é o fato de que entendo que a agência reguladora está sendo arbitrária e unilateral, pois insiste em não considerar os apelos de inúmeros médicos e entidades que têm, desde o início das discussões, se manifestado favoráveis à manutenção desses fármacos como opção para o tratamento de pacientes obesos.

Os inibidores de apetite são medicamentos para controle da obesidade que agem no sistema nervoso central: sibutramina, femproporex, dietilpropiona e mazindol. A ANVISA iniciou em fevereiro uma série de audiências para considerar a proibição desses fármacos, com base em um estudo chamado SCOUT que indicava aumento dos riscos em pacientes com histórico de problemas cardíacos.

Entretanto, esse estudo considerou apenas pacientes com esse histórico, sendo, portanto, um estudo parcial.  A verdade é que os médicos já não indicam esses medicamentos para esses pacientes, como bem já advertiu o presidente da ABRAN, o Dr. Durval Ribas Filho. E até mesmo os cardiologistas consideram que os benefícios superam os riscos desses fármacos, desde que utilizados com indicação e acompanhamento médicos.

A própria ANVISA trouxe ao Brasil um dos responsáveis pelo estudo SCOUT, o Dr. Christian Torp-Pedersen, e até ele entende que é preciso manter esses medicamentos no mercado. A obesidade é a doença que mais cresce no mundo, e ainda não existem alternativas mais seguras. No final, não há como discordar do Dr.  Ribas, pois o maior prejudicado nessa história toda continua sendo o paciente obeso.

O painel técnico ocorrido no dia 14 de junho não permitiu a presença da imprensa como anteriormente noticiado.  E a boa fé da classe médica serviu apenas para que a ANVISA transmitisse uma falsa impressão de ter conduzido a discussão de maneira democrática. Entretanto, a agência considerou essa sessão como a última, mas a ABRAN está formalizando pedidos a senadores para que um novo painel público possa acontecer na Casa. E que todos saibam: não mediremos esforços para evitar uma decisão autoritária e antidemocrática. Se a ANVISA prosseguir nesse sentido, não restará outra opção senão usar os meios legais para solução desse problema.

*Guest Blogger: Dr. Paulo Giorelli, diretor da ABRAN, entidade médica científica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. Fundada em 1973, dedica-se ao estudo de nutrientes dos alimentos, decisivos na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da maior parte das doenças que afetam o ser humano, a maior parte de origem nutricional. Reúne mais de 3.200 médicos nutrólogos associados, que atuam no desenvolvimento e atualização científica em prol do bem estar nutricional, físico, social e mental da população.

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