Curiosidades


Já lhes aconteceu de pensar em algo e, de repente, encontrar todas as informações necessárias para a compreensão desse pensamento, antes sem nenhum fundamento teórico? Pois é. Lá no início do ano 2000 eu estava envolvida na produção editorial de uma coleção sobre folclore. E me veio à cabeça como teria se perdido a medicina dos povos indígenas brasileiros. Negociando direitos de um livro de um famoso sociólogo e folclorista brasileiro, Alceu Maynard Araújo, encontrei na biblioteca de um de seus herdeiros um livro chamado Medicina Rústica, do mesmo autor.

Mas o que seria medicina rústica? Folheei as primeiras páginas. Segundo Araújo, trata-se do “resultado de uma série de aculturações da medicina popular de Portugal, indígena e negra”. A leitura da obra, então, trouxe toda uma explicação histórica sobre quais influências poderíamos encontrar nessas ricas culturas medicinais. Antecedentes pré ibéricos, lusos, ameríndios e africanos. Mas, claro, não se poderia esquecer que, nesta última incorporam-se as usanças da África branca: a dos mouros.

É interessante perceber que no percurso histórico da medicina, desde o homem primitivo, o sobrenatural sempre esteve presente. Aqui, nessa mescla cultural, pajés indígenas, feiticeiros negros e bruxos europeus se influenciaram reciprocamente. O folclorista explica que, em razão dessa interação, para nós, brasileiros, é difícil saber o que pertence puramente a cada um desses representantes.

O que permaneceu na cultura médica popular no Brasil foi o curandeiro, o raizeiro, o curador de cobras, os benzedeiros. Numa metrópole como São Paulo ainda é possível encontrar esses personagens. Mas é fascinante imaginar de onde vieram as indicações desses médicos naturais para uma ferida, por exemplo: chupá-la, soprá-la! Além disso, o que justificaria o uso do assopro e do fumigar para outros males? Claro, poderíamos dizer que essas são práticas que funcionam como placebo, mas estão completamente dissociadas dos conceitos da medicina clássica, baseada na observação, análise, dedução e síntese.

Mas no mundo da medicina rústica, ainda mantém-se intacta a convicção primitiva de que a morte e a doença são resultado da manifestação de forças místicas, mágicas, da punição dos deuses ou substâncias estranhas que se introduzem no corpo humano, e que podem levar à morte ou a doença.

Prossigo na leitura e observo que, à época da coleta de dados de Araújo, portanto falamos da década de 1960, a população pesquisada à margem do Rio São Francisco, adotava o toré (religião indígena) como prática religiosa e também medicina mágica. Claro, para quem não tem posses para ter um bom médico, esse tipo de medicina seria a opção.

Assim define o especialista a medicina rústica: “conjunto de técnicas, de fórmulas, de remédios, de práticas, de gestos que o morador da região estudada lança mão para o restabelecimento da saúde ou prevenção de doenças”. A medicina mágica (benzedura, simpatias, profilaxia mágica, catolicismo brasileiro); a medicina religiosa (candomblé); a medicina empírica (fitoterapia, excretoterapia, dieta, balneoterapia, sangria, pirótica e a pingaterapia), são espécies do gênero medicina rústica.

Mas onde eram os consultórios desses médicos? As casas das cidades, da roça e as feiras livres. O diagnóstico era feito geralmente por meio de perguntas que buscam saber como anda o funcionamento dos intestinos, bem como investigam a cor da língua e da urina, se a barriga está empedrada, se há apetite ou não – entre outras coisas. Já o curandeiro e o benzedor seriam os psicólogos que desejam saber tudo. “Curandeiro não cura apenas mazelas do corpo, as da alma também”, conclui o autor.

Passado meio século, parece que os avanços da medicina e da tecnologia ainda não mudaram totalmente esse tipo de prática em algumas regiões do Brasil. A pergunta que ainda me faço é – como se passariam esses conhecimentos? Provavelmente são transmitidos por via oral. Mas há algo de legítimo e apropriado nessas práticas que podem contribuir para o estado de equilíbrio físico, mental e social das pessoas? Não sei. O que se sabe é que, para um grande número de pessoas, essa é a única forma de tratar e prevenir doenças.

Anúncios

Primeiro mundo funciona assim: apesar das contradições do humano que compõe as instituições governamentais, há verdadeiros interesse e movimento em direção ao controle daquilo que se chama interesse público. Por isso, tudo que possa influenciar a vida dos cidadãos é devidamente monitorado para que todos possam ser beneficiados. Guiada por esse importante valor, a London School of Economics realizou uma pesquisa internacional para saber qual o papel da internet, incluídas as mídias sociais, nos serviços de saúde.

O estudo, denominado Bupa Health Pulse 2010, contou com a participação de mais de 12 mil pessoas em doze países, entre eles, a Austrália, o Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Itália, México, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Embora o acesso à internet seja restrito a menos da metade da população brasileira, o percentual de pessoas que acessam a internet é de 29%. Entre estas, aquelas que procuram conselhos médicos, informações sobre remédios e doenças corresponde a cerca de 30%. As explicações para esse fenômeno, segundo os pesquisadores, são o difícil acesso aos serviços médicos em nosso país, além dos altos custos das consultas especializadas. Consultar o Dr. Internet seria, então, uma alternativa mais rápida e barata.

Na Itália, por exemplo, oito entre dez usuários de internet devoram informações sobre saúde, e um, entre dois, busca encontrar na rede dados para a autodiagnose. Cerca de 13% recorre às mídias sociais como Facebook para comentar, perguntar ou aprofundar-se nesses assuntos. Outros 2/3 declaram solicitar prescrições online, e muitos gostariam de ter acesso às suas fichas clínicas via internet. Mais dados mostram que 34% da população italiana procura informações médicas antes de consultar seu médico (lá, cada um tem seu médico responsável, em sua região domiciliar).

Os pesquisadores da escola inglesa afirmam que esse fenômeno tende a crescer, especialmente com a projeção do aumento das vendas de equipamentos como Ipad e Smartphones.

Segundo Sneh Khemka, diretor médico da Bupa International, como as informações na internet podem ser pouco confiáveis, as consequências dessas consultas podem ser desastrosas. “De um lado, as pessoas se sentem falsamente confiantes em relação a sintomas potencialmente perigosos; de outro, informações imprecisas podem levar ao completo descaso, quando seria necessário agir imediatamente”, diz.

Na Europa, já existe uma organização não governamental encarregada de conferir selo de qualidade a websites cujo conteúdo é  a saúde. Trata-se da Health On the Net Foundation (HonCode). E esse tipo de certificação é um ideal  a se realizar. Na ausência desse serviço, confira as dicas dos especialistas para selecionar sites fidedignos:

  • Seja específico ao inserir palavras chave para as pesquisas na internet

  • Escolha sites onde seja possível identificar quem está fornecendo a informação. Comece pela seção QUEM SOMOS, que deve ser lida com atenção

  • Dê preferência para sites de sociedades científicas, associações de pacientes e organismos institucionais

  • Confira se há assinatura e data

  • Verifique se não existe conflito de interesse entre o que indica o site e a natureza da organização que fornece as informações, bem como os autores convidados a escrever sobre determinado assunto

  • Preste atenção às informações colhidas do Facebook, ou nas redes sociais da Web.2 (Wikipedia e Blogs) – seus conteúdos são fruto da colaboração de pessoas que raramente possuem competências específicas na área da saúde ou são médicos

O Instituto Negri de Milão disponibiliza para os cidadãos o seguinte questionário para guiar os usuários de internet:

Há indicação de quem são os autores do conteúdo?

Há indicação de fontes da informação?

Há data de atualização do conteúdo?

Há informação sobre a quem pertence o site?

Há indicação de eventuais patrocinadores?

Se há alguma propaganda, ela difere do resto do conteúdo?

Há declaração de algum conflito de interesse?

Os objetivos são claros?

O site fornece detalhes de fontes de informações que podem ser consultadas?

O site ajuda o usuário a tomar decisões sobre sua própria saúde?

Seguindo todos esses passos, o usuário de internet diminui o risco de obter informação não confiável  relacionada à saúde. Entretanto, como cada caso é um caso, o médico será sempre a pessoa mais indicada para esclarecer dúvidas, avaliar e tratar sintomas e doenças.

Para saber mais: confira os dados da pesquisa da London School of Economics e Bupa Health

Untangling the web: Online Health

Clique aqui e veja como é feita a certificação na Europa

Sentada na cadeira do dentista, de boca aberta, ele me pergunta: “Você já esteve no dermatologista?”. Respondo que sim. E ele continua, “Você tem uma pinta na boca. Estou preocupado com isso. Gostaria que fizesse uma avaliação”. Claro que minha cabeça já começou a martelar a ideia de que eu podia ter um melanoma. Ainda adolescente, adorava ficar estirada na areia ou na beira de uma piscina. O objetivo não era ter uma pele dourada. Era ter as bochechas vermelhas.

Naqueles dias, ninguém falava em proteção solar, raios UV, nada. O belo, para mim, era usar um vestido de verão, ostentando as marcas finas do maiô e as maçãs do rosto e o nariz rosados.   Fui ao dermatologista com a impressão de entrar em um matadouro. Ali fiquei sob uma lupa imensa e iluminada. O médico, ao olhar as tantas sardas, logo disse – “Ah, aposto que na sua família existem muitas mulheres de pele clara!”.  É verdade. Mas desde a geração de minha mãe, somos a maioria morenas claras: sob o sol, a pele fica avermelhada, mas depois logo se bronzeia. E então o médico levantou a franja sobre a testa, e me deu nas mãos um espelho – “Veja, você não tem nenhuma marca nesta região. Tudo o que vemos em seu rosto é o resultado de exposição exagerada ao sol. Podemos clarear tudo isso, algumas delas com laser, mas você é uma daquelas que deverá usar protetor solar para o resto da vida e até dentro de casa! Ah e a pinta nos lábios, é outro efeito da sua devoção ao deus Sol, mas não é melanoma”.

Desde esse dia, após ter tranquilizado o dentista de que não morreria em seu consultório como consequência de um câncer de pele, uso mesmo o filtro solar até dentro de casa, e mesmo nos dias de inverno mais intenso. Esse fato ocorreu já há alguns anos, e a notícia da semana sobre o tema é que pesquisadores australianos acabaram de documentar que o uso de protetores solares efetivamente diminui o risco dessa doença.

O Instituto de Pesquisa Médica de Queensland observou por 15 anos o estado de saúde de 1600 habitantes de uma cidade a beira mar. Metade dos participantes da pesquisa usavam o creme todos os dias, e os restantes somente nos dias em que se expunham de forma prolongada ao sol. No final do período de análise, a incidência de câncer de pele no grupo de uso opcional resultou no dobro em relação aos que usavam a proteção diariamente.

Segundo a responsável pelo estudo, a Dra. Adele Green, tais resultados superaram qualquer distorção anteriormente verificada, pois a escolha entre os voluntários foi aleatória. “Muitas vezes, as pessoas predispostas a contrair o melanoma são as de pele clara. Estas, tendem a aplicar maior quantidade de creme e, por isso, era impossível determinar de forma independente a sua eficácia contra o tumor”, concluiu.

No meu caso, que vivo num país tropical, e estou frequentemente exposta ao sol, não me agrada mais ter sardinhas ou um colorido mais expressivo nas faces. Mesmo sem ter certeza da existência do céu e do inferno, na dúvida, comecei a rezar. Parece que já estou ouvindo as harpas dos anjos.

Para saber mais sobre a pesquisa:

Reduced melanoma after regular sunscreen use: randomized trial follow up

 

Confira aqui a pesquisa brasileira sobre  o tema:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101216/not_imp654263,0.php

Há cerca de dois séculos, Ignatz von Peczely era apenas um menino húngaro de 12 anos que apreciava brincar em seu jardim. Um dia capturou uma coruja, mas, acidentalmente, quebrou-lhe uma das patas. Preocupado com o ocorrido, notou o surgimento de um sinal na parte colorida do olho da ave, exatamente no instante do ferimento. A marca permaneceu ali, mesmo após a consolidação da fratura. O tempo passou e Peczely, já adulto e médico, observou que alterações no organismo de seus pacientes podiam ser identificadas por meio da íris e, assim, idealizou um mapa representativo dos órgãos do corpo humano.

Embora a técnica já fosse conhecida pelas civilizações egípcia e grega, e até pela Medicina Tradicional Chinesa, foi desta forma que surgiu a iridologia, método observacional que estuda a íris para conhecer o indivíduo integralmente. E isso só foi possível porque o olho é uma terminação do nervo óptico e, também, um prolongamento exterior do sistema nervoso autônomo. Considerando que a íris é formada por fibras nervosas, ela seria capaz de receber informações de todo o sistema nervoso, mostrando características psicofísicas, predisposições, desequilíbrios ou pontos fortes, a capacidade de recuperação de cada um, além do impacto do estilo de vida na saúde.

Ferramenta pré-diagnóstica

Para Celso Battello, presidente da Associação Mundial de Irisdiagnose (AMI) e autor do livro Iridologia e Irisdiagnose – O que os olhos podem revelar (Ed. Ground), “o olho, e principalmente a íris, é o mais inteligível e preciso microssistema que existe no corpo humano e veterinário”. Essa é a razão por que esse órgão apresenta marcas congênitas e adquiridas. “Apesar disso, é importante saber que a iridologia não serve ao diagnóstico clínico, mas funciona como uma ferramenta pré-diagnóstica”, completa Battello.

O iridólogo italiano Luca Avoledo concorda e acrescenta: “A iridologia não deve ser considerada uma alternativa a outros instrumentos utilizados na medicina convencional, como os exames radiológicos e análises sanguíneas. Ela é uma disciplina do tipo analítica que se integra a outros tratamentos, incluída a psicoterapia”.

A escolha do especialista

Os especialistas afirmam que a prática da iridologia pode ser multidisciplinar. Embora ela já componha o programa curricular da faculdade de Naturologia Aplicada da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), a formação desses profissionais se dá geralmente por meio de cursos livres. O importante é que o paciente se certifique de que o iridólogo tenha se habilitado em cursos de boa procedência.

Numa consulta, o paciente será examinado com o auxílio de um instrumento chamado iridoscópio, mas o profissional pode também valer-se de uma lupa. Avoledo explica que para um especialista, esse instrumento representa o mesmo que um estetoscópio para um médico convencional. Mas adverte: “Os resultados da leitura da íris devem ser interpretados com bom-senso. A melhor coisa a fazer é confrontá-los e integrá-los a tudo quanto tenha sido apurado na consulta clássica. Afinal, a conversa com o paciente é o verdadeiro momento de uma visita médica”, conclui o italiano.

Como é feito o exame? O exame não é invasivo nem doloroso e pode ser feito com um iridoscópio, instrumento dotado de lentes que permitem a observação da íris em seus mais microscópicos detalhes, ou com uma simples lupa. Existem, ainda, modernos recursos de captura de imagens, com várias graduações de aumento. Ao serem reproduzidas na tela de um computador, ou mesmo num vídeo, facilitam, em muito, a interpretação dos resultados.

 O que o iridólogo observa? Cores, pigmentações, estrias, fendas e anéis. Cada íris é única em sua configuração, mas os mesmos tipos de sinais se repetem em homens e mulheres. No caso dos órgãos sexuais (útero e próstata), por exemplo, ambos correspondem à mesma área topográfica do mapa iridológico.

 O que cada característica significa? De acordo com o tipo de sinal e do setor da íris em que ele se encontra, o iridólogo será capaz de identificar quais são os pontos fracos e fortes da saúde de cada um: energia vital, predisposição ao envelhecimento, acúmulo de toxinas, fraqueza dos órgãos e aparelhos, graus de mineralização, vulnerabilidade ao estresse, potencialidade de recuperação do organismo e ainda os níveis de saúde. Aspectos psicoafetivos também podem ser notados. Por isso, já existe uma parte da iridologia denominada iridologia psicossomática.

 Como pode beneficiar o paciente? Atua, predominantemente, de forma profilática ou preventiva.

 Há riscos ou contraindicações? A técnica é praticamente inofensiva, dados os baixos níveis desses aspectos.

 Pode ser feita em crianças e idosos? A iridologia não deve ser utilizada em crianças abaixo dos 6 anos de idade. Entre os idosos não há restrição.

Há mais de 20 anos entrei numa linda loja de roupas íntimas femininas, a Victoria’s Secret. A experiência da compra nesse ambiente é algo surreal. Tudo é perfeitamente cuidado e feminino. A ideia é agradar a todos os gostos – as jovens, as não tão jovens e as mais maduras. E as opções também são assim distribuídas. Podemos escolher entre ser prática e básica, ou podemos enveredar no sonho das rendas românticas ou daquelas mais sedutoras. Entre sedas e laços, fui direto à seção de sutiãs. Pedi informações sobre a numeração, pois percebi que ela não correspondia à brasileira.

A vendedora então tirou do bolso uma fita métrica e mediu meu torso e também a altura do busto. Além disso, mediu a distância do peito às costas. Eu era um 34C. Então, iniciei a viagem entre os acetinados e as gripures (um tipo de renda). Entrei no vestiário de sonho e fui experimentando um a um. Todos maravilhosos. A mala de volta para casa tinha 8 sutiãs novos. Pela primeira vez, eu tinha encontrado uma peça perfeitamente acabada, cuja modelagem correspondia à minha anatomia.

A partir daí, os sutiãs viraram uma obsessão. Aqui, os meus preferidos são os da marca Valisère, Jogê e Du Loren. E são os que melhor me vestem. Mas nem sempre as alças funcionam bem. Se elas forem toda de elástico, tanto melhor, pois assim consigo adaptá-las. Mas se tiverem algum detalhe, é certo que não se ajustarão bem, e eu terei que pedir para encurtá-las. A parte da circunferência idem. Geralmente uso o fecho na parte mais apertada, pois minhas costas são estreitas. O correto seria usar no ajuste central, pois a tendência é que se alarguem e então eu teria a opção de apertar mais.

Muito bem. A obsessão virou uma matéria na revista VivaSaúde e foi inspirada numa pesquisa inglesa sobre a relação entre sutiãs inadequados e dor nas costas. Eu até entrevistei o pessoal de lá. Sutiã não é só um acessório de conforto e beleza. É algo que se relaciona com a saúde.

Aí ontem, depois de um café no Starbucks do Shopping Higienópolis, fui a uma loja em busca de meias finas. Entrei na loja Intimität, pedi a mercadoria e, enquanto  esperava, vi um cartaz na parede de uma fabricante de lingerie: a Liz. Ele dizia – 80% das mulheres usam o sutiã errado. Eles fabricam peças básicas, em cores básicas. Não é muito o meu estilo. Mas segui na leitura. Havia uma tabela indicando as medidas de costas e bojos. WOW – pensei. Finalmente!

Pedi informações e logo fui levantando o braço para ser medida. A vendedora gentilmente esclareceu que elas são treinadas no que chamamos de –  olhômetro. Ela me pediu o número clássico, olhou e disse : “Ok, costas 42”. Entrei no vestiário com aquela sensação adolescente de estar provando o primeiro sutiã! Surpreendentemente achei que ficou ótimo! Mas então ela olhou e observou: “Ainda não é esse. Você ajustou no fecho mais apertado e como a peça pode lacear, você não terá como ajustar depois”. E pediu um menor. A copa do sutiã correspondia sempre ao meu número básico. O que estávamos querendo acertar eram as costas e ombros. Um luxo para uma consumidora que nunca na vida teve isso no Brasil!

Aí experimentei o meu primeiro sutiã certo brasileiro. Eu tenho costas de um manequim 40, quando a copa corresponde ao 44  A vendedora exclamou: “Realmente, você deve ter sofrido ao longo desses anos. A diferença, para você, são dois números a menos para costas!”.

É, eu sei. Fiz o que pude e tive o privilégio de poder comprar sutiãs estrangeiros. Os nossos, já são tão belos quanto. As cores, são tão belas quanto. As rendas, foram dia a dia ficando mais bonitas. Mas o fato é que ontem, de volta para casa, eu tinha um sorriso adolescente no rosto, tal qual a garota propaganda do passado, pois o primeiro sutiã CERTO, a gente nunca esquece!

Parabéns à Liz que, segundo a equipe da Intimität, fabrica esse produto há dois anos. E eu até tenho algumas peças dessa marca, mas os sutiãs nunca me seduziram, pois são mesmo sem nenhum detalhe. Prefiro os com detalhes. E agradeço aqui  à equipe da loja: Suely, Valéria, Francisca, Luciana e Leda,  que fez da minha experiência algo mais agradável ainda. Um beijo para todas!

Para saber mais sobre a Liz: http://www.liz.com.br/2010/#/pt/produtos/lizfitsense

e sobre a Intimität: http://www.intimitat.com.br/

O sutiã certo, na VivaSaúde.


Na ferramenta de busca deste Blog, frequentemente encontro pesquisas por informações sobre ser ou não ser médico. E eu sempre me pergunto: quem são essas pessoas? Seriam estudantes que utilizam a Internet como uma espécie de oráculo? Ou essa pergunta expressa alguma crise instalada em médicos acometidos pela exaustão?

Ao longo dos anos, essa profissão tem garantido bons salários, autonomia, respeito da comunidade. Mas parece que esse perfil está mudando. Uma reportagem publicada na revista Forbes em 2008 mostrou que, nos próximos 15 anos, os Estados Unidos enfrentarão uma crise pela falta de 90 a 200 mil médicos. Lá, as razões para isso seriam os altos custos dos seguros para a proteção da mala praxis, ou eventuais erros médicos que requerem indenização. A previsão dos americanos é que esse quadro causará maior espera por uma consulta, bem como resultará em honorários mais caros.

Entre as mulheres, a decisão de ser ou não ser médica pode causar uma forte angústia. Durante toda a juventude, elas estarão tentando descobrir a receita para manter o equilíbrio entre seguir a carreira e construir uma família. E isso enfrentando uma maratona que exige, no mínimo, 60 horas de trabalho por semana.

Do outro lado, estão os pacientes. Seja em consultórios elegantes, seja na rede de serviços públicos, devem esperar atrasos de, no mínimo, 45 minutos quando chega o dia de sua consulta. Ao contrário do que pensam, isso não acontece porque os médicos estão praticando um esporte caro, ou dirigindo um carro importado em algum lugar da cidade. A verdade é que eles estão sempre ocupados com algum outro paciente. Já dissemos aqui que a frustração é recíproca. Médicos que depois de 10, 11 anos de estudo,  veem-se diante de uma realidade muito diferente daquele ideal dos primeiros anos de faculdade. Pacientes que, fragilizados, esperam atenção, cuidado, mas muitas vezes mal conseguem expressar seus próprios sintomas.

A crise se instala. E, diante dela, a realidade precisa ser enfrentada. Apesar do grande investimento de vida e econômico para se tornar um médico, este deve aprender na escola de medicina que ele também é um ser humano. Portanto, ele precisa de vigilância e tratamento contínuos para poder fazer o que se espera que os médicos façam: ouvir seus pacientes, investigar suas queixas e buscar saídas para que a qualidade de vida dessas pessoas seja alçada a um patamar de dignidade. Isso parece ser uma condição sem a qual não é possível ser um bom profissional. E pressupõe que o médico seja estimulado ao auto-conhecimento e ainda esteja disponível para assimilar o fato de que, cada paciente, rico ou pobre, tem algo para lhe ensinar. Na prática médica, e na vida.

Ouvi esta semana uma fala do cirurgião Paulo de Tarso Lima, do Hospital Albert Einstein, que o objetivo de rehabilitar um paciente é fazê-lo re-habitar seu corpo. Tomar posse dele para fazer o que for necessário para a melhora de sua saúde. Penso que, para os médicos, essa é a premissa que deve nortear suas próprias vidas. Como podem “curar” doentes, se são incapazes de fazê-lo em relação a si mesmos?

As escolas precisam ensinar-lhes a prática da humildade. Ao invés das ideias mágicas e onipotentes, a verdade de que não podem saber e fazer tudo, e que precisam dos outros. O trabalho e a vida de médico é difícil. Decisões de vida ou morte fazem parte da rotina diária. Mas como observou Lima, “até a morte nos ensina a viver”.

A medicina não é fim. É meio. E não só para os pacientes. Para os médicos, essa profissão pode ser uma grande possibilidade de se tornarem seres humanos melhores.

Nossos celulares e computadores são hoje uma extensão de nossas mentes. Alguém disse – quando meu Iphone apagou, vivenciei a morte. Tive a impressão de que tinha perdido a cabeça”.

“A tecnologia propõe por si mesma uma arquitetura de nossa intimidade”, explica a professora do MIT Sherry Turle para uma grande plateia da Harvard University Extension School. O evento – ‘A vida acorrentada: tecnologia remodela a intimidade e a solidão’, fechou a celebração do centenário da escola.

“No momento em que escrevemos uma mensagem no telefone, email ou Twitter, estamos redesenhando os limites entre a intimidade e a solidão”, diz a professora. “Os jovens evitam o telefone, temerosos em revelar demais. Além disso, demora muito; eles preferem mandar um SMS a  falar.  E os adultos também escolhem os teclados ao invés da voz humana”.

Acorrentados à tecnologia, nos sentimos desamparados quando o mundo virtual não tem significado ou não satisfaz. ‘Após uma noite de conversa de avatar-para-avatar numa rede de games, nos sentimos, num primeiro momento, na posse de uma vida social plena; depois, vem a curiosa sensação de isolamento decorrente da tênue cumplicidade com estranhos’.

Nessa provocante palestra, Turkle, que é fundadora e diretora de uma iniciativa denominada Iniciativa MIT para a Tecnologia e o Self, ela compartilha observações sobre o significativo impacto que a tecnologia teve em nossas vidas pessoais, na de nossos filhos e famílias. Ela também discursa sobre as noções de privacidade e o fato de que ganhamos pouco em termos de substitutos positivos para nos conectarmos às pessoas, num mundo onde as relações são mediadas por máquinas e redes.

A palestra conferida no dia 14 de maio tem como base o novo livro da professora – Alone together: technology and the Reinvention of Intimacy and Solitude, cuja publicação está prevista para janeiro de 2011, pela Basic Books”.

Para saber mais: veja o fragmento da palestra no Youtube:

*Fonte: Harvard Gazette Newsletter, 3 de junho 2010.

Próxima Página »