Bem estar


Caros amigos, como sabem,  o tempo tem sido escasso para o prazer da escrita. Então, passar por aqui para refletir e compartilhar temas de saúde tem se tornado quase um sacrifício. Mas nesta manhã de domingo ensolarado, estive revendo alguns textos, páginas visitadas ao longo desses dois meses e encontrei um post escrito por Stephen Diamond, psicólogo forense americano, que possui uma série de mini artigos chamados Segredos da Psicoterapia, e que foram publicados na versão online da revista Psycology Today. Claro que o tema é bastante simpático, mas este post em especial traz alento, pois nos ajuda a meditar sobre a forma como vivemos nossas vidas. Todo dia é dia de aprendizado. A alma, como as crianças e os adolescentes, às vezes reclama da disciplina, mas é preciso continuar com o nosso imprescindível crescer. Compartilho, então, a tradução livre do artigo intitulado Mudança e Aceitação, esperando que ao menos uma faísca de esperança surja no coração de cada leitor. Para viver melhor, para aprender a ver as coisas sob as lentes da sabedoria e para começar o ano de 2012 mais leve!

“Comecemos com uma simples associação de palavras. Quando você pensa em psicoterapia, qual é a primeira palavra que lhe vem à mente para definir o que ela representa? Pense alguns segundos. Pronto? Para muitos, minha opinião é de que a única e, quem sabe, uma das primeiras palavras foi MUDANÇA. Mas e seu eu falasse a você que psicoterapia tem mais a ver com aceitação do que com mudança?

Qando Sigmund Freud fez aquela mal compreendida declaração de que o objetivo da psicanálise é transformar a miséria neurótica em infelicidade comum, ele estava falando de mudança. Mas como mesmo uma modesta mudança pode acontecer em uma terapia? Muitas das que ocorrem são consequência de um paralelo e gradual processo de aceitação; aceitação da vida como ela realmente é, em oposição àquilo que nós gostaríamos que fosse.

Aceitação de um trauma de infância e sua influência inconsciente no presente. Aceitação de nós mesmos por aquilo que somos, mais do que aquilo que não somos… E até Freud reconheceu profunda e pessoalmente a necessidade de coragem para aceitar nosso sofrimento físico e emocional, e o alto preço que pagamos tentando evitar ou negar esse trágico aspecto da vida.

O conceito de aceitação é especialmente proeminente nas filosofias orientais e também no cristianismo, e outros sistemas religiosos. Em nenhuma parte, por exemplo, na literatura religiosa, este princípio espiritual da aceitação do sofrimento é representado mais dramaticamente do que no arquétipo da imagem da Crucificação. Aceitação é a chave para a iluminação espiritual, como ilustrado repetidamente em textos tradicionais do Velho Testamento, no Bhagavad Gita, nos nobres ensinamentos de Buda e no Tao Te King.

Inspirado implicitamente nessa sabedoria do oriente, o psicólogo clínico Dr. Marsha Linehan (da Universidade de Washington), incorporou o paradoxo ou dialética da mudança versus a aceitação na sua popular Dialectial Behaviour Therapy (DBT). DBT é uma bem estruturada forma de terapia Cognitivo Comportamental, com um componente espiritual e filosófico. Especializado no tratamento de borderliners, Linehan reconhece a necessidade de trabalhar com esses pacientes desafiantes para ensiná-los o que ele chama de aceitação radical – além da necessidade de mudar sua cognição distorcida e seus comportamentos auto destrutivos. A aceitação radical é o abraço tolerante do como e quem estão aqui e agora, justaposto à consciência da necessidade de mudança e crescimento.

Para dar suporte a essa auto aceitação, Linehan integra princípios da meditação e do mindfulness em seu tratamento. Eis aqui os 5 pontos fundamentais da aceitação radical:

1. Aceitação é a consciência daquilo que é.

2. Aceitação é não julgamento, nem considerações do que é bom ou mal.

3. Livrar-se do sofrimento requer mais aceitação do que resistência à realidade.

4. Escolher suportar a dor e o estresse neste momento é aceitação.

5. Aceitar ao invés de evitar a dor emocional na verdade alivia o sofrimento.

A ênfase do especialista é a relação dialética entre a mudança e a aceitação e é um ótimo exemplo do quê precisa acontecer em uma verdadeira e efetiva psicoterapia. Para começar, existem certas coisas na vida que não podem ser mudadas, e algumas delas podem – embora muitas vezes com esforço e suporte. Esse reconhecimento reflete a prece da serenidade utilizada pelos Alcoólatras Anônimos: “Senhor, me dê serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar; coragem para mudar aquelas que posso, e sabedoria para saber a diferença”. Outra coisa semelhante à abordagem dos AA é aceitar a sua impotência sobre o álcool (ou outras substâncias ou comportamentos de dependência), como pré requisito para a mudança. O problema deve ser inequivocadamente aceito antes que ele possa ser mudado.

Basicamente o que precisa ser mudado é nossa recusa em aceitar nós mesmos e aos outros como eles são agora. Esse é um verdadeiro paradoxo. Quando as pessoas vêm a primeira vez à psicoterapia, elas frequentemente esperam mudar a eles mesmos ou aos outros, e em formas que são simplesmente impossíveis. Mas, por definição, querer mudar algo ou alguma pessoa implica que há algo errado – alguma insuficiência, inadequação, falha, fraqueza, inferioridade, uma imperfeição inerente que pede mudança. Muitos pacientes têm a crença que ninguém pode amá-los, ou que não merecem amor da forma que são.

O que lhes falta é a habilidade de aceitar incondicionalmente eles mesmos, exatamente do jeito que são neste momento, apesar de suas humanas imperfeições. E ao mesmo tempo, algumas mudanças devem claramente ser feitas. Mudanças na percepção do derrotismo, atitudes, velhos mitos sobre si mesmo, estilo de vida, e outros comportamentos destrutivos. Mas o paradoxo é que isso, muitas vezes só é possível por meio da aceitação do que Jung chamou de Sombra.

A aceitação da vida e de seus próprios termos – a inevitabilidade do sofrimento, os caprichos do destino, a trágica qualidade da existência, a realidade do mal, a impermanência, as perdas, as doenças, a solidão, a insegurança, a finitude, o envelhecimento e a morte, é essencial tanto quanto qualquer técnica comportamental ou psicodinâmica, intervenção farmacológica ou reestruturação cognitiva, designada para diretamente mudar ou “consertar”o paciente e seu problema.

Aceitar nossas próprias tendências neuróticas, resistências, mecanismos de defesa, complexos, biologia, temperamentos, tipologia, sentimentos, pensamentos, impulsos, defeitos, idiossincrasias, e nossa capacidade inata para a destruição, juntamente com nossos pontos fortes, talentos e potencialidades criativas – são em si mesmos uma mudança terapêutica para o paciente desanimado, cheio de culpa, hiper moralista, narcisista, reprimido, dissociado ou perfeccionista. Por outro lado, a aceitação de si mesmo, das próprias emoções, pensamentos, comportamentos, problemas, e a responsabilidade por si mesmo, é precisamente o tipo de reorientação psicológica ou espiritual requerida na psicoterapia para que qualquer mudança real e duradoura possa ocorrer. E muito disso leva à aceitação”.

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No caminho para a Unifesp, ontem, minha irmã escolhida, Liliana Centurione, me convidou para conhecer o Dr. Afonso Carlos Neves. Neurologista, ele desenvolve um trabalho chamado Meditação caminhando no Labirinto. Adorei a ideia de participar da vivência, pois esse foi o tema de uma das aulas que eu não pude assirtir no mês de maio.

Labirintos sempre me fascinaram desde a primeira vez que ouvi a história de Teseu e do Minotauro, e de Ariadne, personagens da mitologia grega. O Minotauro, metade homem, metade touro, aliás, inspirou Picasso em muitas de suas obras. Dominique Depuis Labbé, curadora do Museu Picasso, comentando essa preferência, disse que “A finalidade da presença do Minotauro é admitir e fazer admitir que somos duplos: é a inevitável e necessária presença da bestialidade em nós, mesmo se ela nos choca, e a transgressão picassiana consiste em exprimir e em viver, mais ou menos serenamente, aquilo que nos assusta mas que palpita dentro de nós, em particular no domínio sexual“. (Isso também nos leva a Freud e o seu Mal estar na civilização).

Apaixonada por esse artista, muitas vezes me perguntei se Picasso se via como um Minotauro, ou se apenas  nos estimulava a ver as partes do todo que somos nós. Meditando sobre o labirinto, ser aprisionado seria pena ou necessidade?

Caminhar por um labirinto pode ter muitos significados e, para mim, ele representava as emoções, os caminhos que às vezes pensamos ser os melhores e que, inadvertidamente acabam numa passagem sem saída. E então era também o retrato do recomeço. Um Minotauro está sempre à espreita. Por isso, a atenção plena é condição sem a qual não podemos trilhá-lo.

Bem, meus pensamentos repassaram todos esses conceitos antes de tirar os sapatos e iniciar o percurso pela sala ensolarada, e pelos traços do labirinto imenso desenhados sobre o canvas branco. Diante de mim, um quadro com a planta dele. Imagine uma mandala cujo desenho mais parece um cérebro dividido em quatro partes.

Inicio o percurso com apreensão, pois a sensação é que vou me perder. É preciso equilíbrio e concentração. E parece que o objetivo, isto é, o centro do labirinto nunca chega. No fundo, uma música ecoava. E o meu corpo apenas queria seguir adiante, embalada por uma sensação de estar passando por curvas e ondas conhecidas. Me emocionei. Mas o choro não veio. Ao mesmo tempo senti um enorme prazer. Eu era uma rainha cruzando a longa nave de uma igreja antiga, rumo à coroação. Ombros para trás, sem medo do que iria encontrar. Ao chegar no centro, os demais participantes se sentaram. Eu só desejei sentir os pés bem fincados no chão. Nessa altura eu já perdera os propés, as meias queriam sair e eu pensava – quero ficar descalça! E sentia orgulho, como se tivesse cumprido uma missão especial e sagrada. Ao meu lado vi a Liliana, que depois me disse que me esperava. Iniciei meu caminho de volta. Os passos eram certos e seguros, pausados e ritmados.

Na saída, oDr. Neves me esperava com uma folha de papel nas mãos, com a seguinte inscrição:

O labirinto é como a vida: às vezes parece que estamos perto do nosso objetivo e, de repente, o caminho se afasta. Em outro momento, quando o objetivo parece longe, subitamente chegamos a ele… A vida não é feita só de metas; a vida é vivida nos caminhos”.

Ri sozinha. Afinal, eu consegui percorrer e sair do labirinto. Descobri que o Minotauro, na verdade, era apenas uma fantasia. Saber que foi possível passar por esse caminho sem me perder, com equilíbrio e total presença trouxe esperança. O fascínio agora, não é o mito, mas a verdade. E assim,  recomeço a caminhada em direção ao centro, sabendo que sempre posso ir e voltar quando quiser!

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O que é Meditação Caminhando no Labirinto (MCL): A MCL é uma prática complementar, ou ainda uma terapia de apoio instrumentalizada com labirintos. Ela tem sido utilizada nos últimos anos nas mais variadas instituições, em diversos países, como hospitais e universidades, escolas etc. A atividade trabalha o movimento do corpo, a escuta musical e uma prática de interiorização que procura reduzir o estresse, promover o relaxamento e facilitar um contato interior consigo mesmo. Pessoas sadias e doentes têm se beneficiado da prática, das mais variadas formas: atitude mais positiva dos pacientes, maior adesão a tratamentos, melhor compreensão de suas atitudes diante das doenças. A atividade tem como fim despertar partes adormecidas de nosso interior, e que estão relacionadas com a intuição, noções artísticas e relação do corpo com espaço e outras correlatas.

Para saber mais sobre o Dr. Afonso Carlos Neves, visite o Blog Meditar no Labirinto

Eu deveria estar finalizando um artigo sobre reumatologistas. Mas esta manhã, ainda na cama, li um post no NYTimes que me fez lembrar que hoje é dia 25 de fevereiro. E há exatamente um ano conheci uma pessoa extraordinária, que vive neste mundo, mas não é deste mundo. Falo da Dra. Sissy Fontes, a coordenadora do Curso de Cuidados Integrativos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Nós tivemos nosso primeiro contato por telefone, para uma entrevista. E, na verdade, não foi um encontro. Foi um reencontro, cuja lembrança foi acessada imediatamente. Sabem aquelas pessoas que você nunca viu, mas quando falam lhes parecem velhos conhecidos? Pois é. Foi assim conosco. Desde então eu tenho tido o privilégio de testemunhar o trabalho de uma pioneira que é também uma guerreira. Diante dela, todos têm um tremor reverencial. Em qualquer outro lugar do mundo, ela já teria recebido algum prêmio de reconhecimento por seu empreendorismo.

Curiosamente, ser empreendera, para ela, não tem a ver com estratégias para vencer no mundo corporativo. Tem a ver com almas e corações. E quem tem esse destino, quase sempre sofre mais do que os outros. Mas para essa jovem mulher, as adversidades são um bailado. Talvez uma valsa onde ela, às vezes, precisa curvar o corpo e a cabeça. Em outros momentos, ela apenas gira, mudando para o lado onde é possível seguir com as passadas largas, sem se importar com as paradas estratégicas, vistas como um pretexto para recomeçar. Ela sorri diante da incompreensão. E se emociona porque o caminho que todos nós, seus alunos, estamos trilhando, é igualmente o seu. Mudando o que deve ser mudado, para descrevê-la alguém poderia usar aquela frase conhecida – Eu não faria seu trabalho por dinheiro algum neste mundo! Sua resposta seria a já ouvida – Eu também! Faço tudo isso por amor!

Mas então a ligação com o texto desta manhã. Trata-se de um relato de uma enfermeira que conta como os familiares de pacientes gostam de presentear a enfermagem com comida. Doces, tortas, bolinhos, almoços encomendados em buffets, coisas de comer industriais ou feitas em casa! Ela se pergunta porque é que as pessoas repetem esse mesmo comportamento. Afinal, as enfermeiras estão fazendo o trabalho que escolheram para suas vidas – dar remédios, falar com os médicos, facilitar exames laboratoriais! Aí ela completa dizendo que o que realmente move essas pessoas é o trabalho emocional que desenvolvem com os pacientes. “É isso que inspira a gratidão nelas”. Traduzindo isso, trata-se da construção de relações, acolhimento, escuta do outro.

O relato segue contanto a história de uma jovem que, um dia, apareceu em sua ala, após a alta médica, segurando um lindo bolo de aniversário. Ela não comemorava mais um ano de vida, mas uma vida nova, já que se submetera ao transplante de células estaminais. E estava tão bem, que tinha até tido tempo e disposição para fazer um bolo e presenteá-lo para a equipe. “Muito feliz, ela me deu a receita, mas eu nunca fiz. Embora eu seja uma boa cozinheira, pensei que não seria possível fazer um bolo tão saboroso como o que comemos naquele dia. Fora desse contexto, ele seria apenas um bolo de chocolate. Faltaria o maior ingrediente dessa história inspiradora: o ponto de vista raro e impagável de uma paciente para quem uma vida nova em folha veio através de nossas mãos”, fala a enfermeira.

Ao longo de todo esse ano, ficou claro para mim que a Dra. Sissy tem sempre nos bolsos de seu jaleco um pacote desse raro ingrediente que torna tudo possível e delicioso: confeitos emocionais. Para ser um Cuidador Integrativo, é preciso aprender a ter uma consciência amorosa, pois tudo se resume em dar e receber amor. Parece fácil? Não é! Esse é o nosso maior desafio neste mundo.

Aceite minha gratidão, Sissy! Por tudo, e sempre!

Para saber mais sobre o Curso de Extensão Universitária (lato sensu) de Cuidados Integrativos da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM), acesse:

http://www.unifesp.br/index.php?cod=2&pag=cursoext.php&tipo=1

Veja a reportagem com a Dra. Sissy Fontes:

http://jovempan.uol.com.br/videos/sissy-veloso-fontes-45653,1,0





O tratamento da dor é uma das aplicações mais difusas da acupuntura no Ocidente. A técnica pode tratar os mais diversos tipos de dor, a partir de um diagnóstico preciso que identifique sua causa e garanta mais qualidade de vida às pessoas.

A prática tem se mostrado muito eficaz para amenizar as dores e as limitações de pacientes que sofrem com a fibromialgia, dor crônica generalizada por todo o corpo, e que atinge 2% da população, oito mulheres para cada homem. A idade do aparecimento da fibromialgia é geralmente entre 30 e 60 anos, porém há casos em pessoas mais velhas, crianças e adolescentes.

A fibromialgia já é conhecida há mais de 100 anos, mas se davam nomes diferentes para ela e não havia um consenso de como fazer o diagnóstico da doença. Hoje já possui características essenciais para o seu diagnóstico: dor, por mais de três meses, em todo o corpo e presença de pontos dolorosos na musculatura (11 pontos, de 18, que estão preestabelecidos) já indicam a doença.

A alteração do sono na fibromialgia é frequente, afetando quase 95% dos pacientes. Com o sono profundo interrompido, sua qualidade sofre uma queda e a pessoa acorda cansada, mesmo que tenha dormido por um longo tempo, aumentando a fadiga, a contração muscular e a dor.

A depressão está presente em 50% dos pacientes com fibromialgia, o que, por si só, piora o sono, aumenta a fadiga, diminui a disposição para o exercício e aumenta a sensibilidade do corpo.

Ainda como sintomas da fibromialgia identificam-se rigidez matinal, dor abdominal, cefaléias, tonturas, amortecimentos, dor toráxica atípica, palpitação, sensação de aumento do volume articular, tensão pré-menstrual, incômodo psicológico como depressão e ansiedade, queixas cognitivas como problemas de memória e dificuldade de concentração. Em alguns pacientes, encontramos pontos de intensa contração muscular, semelhantes a pequenos caroços: são os chamados pontos-gatilho.

O tratamento para quem sofre de Fibromialgia é constante, pois a doença ainda não tem cura. E o mais importante é um tratamento eficaz para controle dos sintomas. Em um estado de dor crônica, os medicamentos utilizados com mais eficácia são os analgésicos e antidepressivos. Vários tipos de tratamento já foram testados para a fibromialgia, e muitos deles não ajudaram. Porém, com o melhor entendimento do problema, novas medidas estão por vir. Atividade física regular é um tratamento capaz de levar a pessoa para uma vida normal. A acupuntura também é um método que pode ajudar em casos de dor localizada e resistente, e é recomendada com certa frequência. Porém, deve se ter em mente que a acupuntura funciona somente enquanto o paciente está sob tratamento, e não tem efeito duradouro.

A acupuntura, além de exercer um potente efeito analgésico, tem ação antiinflamatória e relaxante muscular. A sensação de alívio das dores e o desconforto, têm feito com que cada vez mais pessoas busquem a técnica, pois sua ação terapêutica age diretamente nos músculos afetados.

Na rede de hospitais conveniados pelo SUS utiliza-se esse método. Uma sessão semanal de 30 minutos, é o suficiente para minimizar as dores.

Guest Blogger: Dr. Dirceu de Lavôr Sales, médico especializado em Clínica Médica, Acupuntura, Homeopatia, e presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA).

Um dos momentos mais interessantes do filme Comer, rezar e amar é o relato da protagonista sobre a preocupação de uma colega psicóloga sobre estar preparada ou não para tratar pacientes, depois de um acidente natural. Profissional treinada numa das melhores escolas de Psicologia, angustiava-se com a ideia de não ser capaz de dar suporte a traumas profundos, dores, queixas e perdas irreparáveis. Na prática, verificou que a maioria das consultas tinha como objeto de análise apenas um assunto – relações.

Dito isso, não me surpreendi com os resultados de uma pesquisa realizada na Suíça por estudiosos da Universidade de Berna e do Swisspep, Instituto para a Qualidade e Pesquisa em Cuidados da Saúde. Avaliadas as diferenças da qualidade das relações na medicina convencional e complementar, concluiu-se que os pacientes que utilizaram serviços de atendimento primário, nos ambulatórios formados por terapeutas complementares, apresentaram maior satisfação quanto à relação médico/paciente.

Segundo os especialistas, o motivo da disparidade é a efetiva comunicação que se opera entre os protagonistas. Escutar o paciente, dividir com ele as melhores formas de tratamento, e ainda ponderar sobre o prognóstico da doença desempenham papel crucial no gerenciamento das expectativas positivas do doente.

No encerramento do estudo, os pesquisadores ressaltam que os resultados encontrados mostram que deve haver esforço na promoção de formação de profissionais, habilitando-os à comunicação. Uma ressalva me chamou a atenção: a providência só deveria ser colocada em prática, caso se entendesse ser desejável que os níveis de satisfação, entre os usuários do serviços médicos convencionais, viessem a ser equiparados aos da medicina complementar…

Hummmm, então tudo mesmo se resume nas relações? Quantas vezes ouvimos médicos dizer que seus pacientes, não importa a especialidade, fazem de seus consultórios verdadeiros divãs? Quantas vezes nos apresentamos numa consulta médica do convênio mais caro do mercado, e o médico sequer levanta a cabeça para nos cumprimentar? Como  sentir que estamos iniciando uma relação de confiança?

Nos ambientes médicos, relacionar-se se resume em apenas uma palavra: cuidar. E seus significados mais simples repetem a definição dos dicionários: reparar, prestar atenção em, atentar, preocupar-se, interessar-se, tratar, olhar… É essa pequena lista de atitudes que se espera e se busca quando o corpo e alma estão fragilizados e amedrontados. Parece que é senso comum o fato de que ser médico de verdade vai muito além das habilidades técnicas para o manuseio de um bisturi.

Eu finalizava a leitura da pesquisa suíça, e lembrei do filme que assisti no domingo: The doctor (Um golpe do destino). Assistam se puderem. Baseado na autobiografia do médico Edward Rosembaum, autor do livro A taste of my own Medicine – when doctors becomes the patient [O gosto do próprio remédio – quando médicos se tornam pacientes]. Imaginem: médico cirurgião cardiotorácico, poderoso e impessoal em todas as suas relações. Um dia é surpreendido por um câncer de laringe. E a sua história recomeça ali.

Talvez a solução para a questão aberta pelos pesquisadores suíços seja uma só. A melhor forma de capacitar médicos para a habilidade de se comunicar é fazê-los vivenciar as práticas às quais são submetidos os pacientes em hospitais públicos (ou privados). Desprovidos de seus crachás e aventais, como muito bem retratato no filme, saberão o que é vestir-se somente com uma camisola que revela os fundilhos para desconhecidos.

Para saber mais: Differences in the quality os interpersonal care in complementary and conventional medicine, por André Busato e Beat Künzi

Confira o trailer do filme: The doctor

Med Students trade places with eldery patients


Desculpem, mas quando estamos apaixonados, nos tornamos obsessivos. No meu caso, penso que estou vivendo uma história de amor com Hipócrates, o pai da medicina. E todos os dias me encanto com seu jeito de encarar a arte de curar e prevenir doenças. E adoro o charme das frases latinas que ele usa para sintetizar as conclusões de seus estudos e observações. Falando sobre fraturas, ele diz que, muitas vezes, a cura só é possível, graças à capacidade natural de reação. Esse é o efeito da Vis mediatrix naturae, isto é, a força saneadora da natureza.

Ontem, o Globo Repórter falou sobre meditação, destacando seu papel na redução da ansiedade, do estresse, e de outras doenças como a depressão. Para dar suporte científico à reportagem, mostrou algumas pesquisas em curso nos mais respeitados centros de medicina brasileiros. Estamos falando da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM), de Brasília e também do Hospital Albert Einstein. O objetivo desses grupos é trazer para o mundo racional (e cético) evidências científicas dos benefícios de um remédio utilizado pela medicina tradicional há mais de sete mil anos: a meditação.

Trata-se de medicamento que não pode ser comprado nem vendido numa farmácia. E mesmo sendo grátis, e dispense o formato de cápsulas, comprimidos ou gotas, muitas vezes a terapia parece ser de difícil adesão. A posologia adequada sugere duas doses diárias. O doente só precisa dispor de tempo para tomar contato consigo mesmo, apropriar-se de seu corpo e mente, tornar-se por alguns instantes senhor de seus pensamentos. O que se espera é que ele desenvolva a capacidade de alcançar um estado de presença absoluta.

Para o médico chinês Yi-Yuan Tang (Universidade de Oregon), os resultados terapêuticos podem ser notáveis, mesmo após prática de curto prazo. Cinco dias de Integrative Body/Mind Training (IBMT) (técnica chinesa nascida na década de 1990, e que permite altos níveis de relaxamento por meio de modificações na postura, respiração balanceada e visualização), potencializam defesas imunitárias, atenuam a depressão, e até dão novo aspecto à pele. Recente pesquisa publicada pela Proceedments of the National Academy of Science of The United States of America, sugeriu que a meditação tem efeitos sobre o córtex cingular anterior, área cerebral envolvida na auto-regulação das respostas da dor e dos estados ansiosos. Esse recurso, então, seria capaz de prevenir e controlar vários transtornos mentais. “Deduzimos que atenção, processos mentais e consciência de si são aspectos que podem ser exercitados como se fossem músculos”, diz o especialista. 

No início de 2010, a Mental Health Foundation (Reino Unido), recomendou a expansão do acesso de terapias baseadas nesse tipo de abordagem para pacientes sob risco de recaída de depressão, o que representa 50% a cada ano. Lá, a Meditação Transcendental era a ferramenta sugerida, pois a lista de evidências de benefícios é longa: baixo custo, aproveitamento de longo prazo, controle de estados crônicos como dor, doenças cardíacas, câncer e até Aids, além do aprimoramento das funções cognitivas: capacidade de atenção, criatividade e bem estar em relação à vida.

Na reportagem da Globo, o médico homeopata Fernando Bignardi, coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp e diretor do Centro de Ecologia Médica Florescer da Mata, usou uma metáfora interessante para explicar as vantagens da meditação. À frente de um estudo que observa os efeitos da técnica em dois grupos de idosos, em diferentes partes da cidade de São Paulo, ele afirma que quando se modifica a nascente de um rio, ele cascateia de modo diferente. Por isso, a partir de uma nova perspectiva da própria vida, postura, vitalidade e imunidade, gradualmente se aprimoram. O efeito cascata é consequência das alterações orgânicas em seus aspectos psicológicos, neurológicos, imunitários e endocrinológicos. Eu, ouso acrescentar que toda experiência conta ainda com o poder da certeza de pertencer a um grupo. Aí, cada um cuida de si, mas também do outro.

Os depoimentos dos idosos participantes do grupo são, no mínimo, comoventes. As lições que eles nos trazem falam da importância de sermos responsáveis pela nossa saúde. Falam do quanto precisamos de uma pausa para ouvirmos, em silêncio, quais são realmente nossas mais íntimas necessidades. Mais do que isso, nos revelam que, se estivermos minimamente disponíveis para o manancial que é a natureza, tudo, mas tudo mesmo, são possibilidades. Ter saúde, então, é apenas o começo de um final feliz.

Hipócrates não é tolo, por isso o admiro. Muito antes da era cristã, ela sabia que é a natureza, e não os médicos, a chave para a saúde. Para alcançar as delícias do bem estar, precisamos,  antes, ter os pés bem fincados na terra.

Veja fragmento da reportagem: Meditação reduz a ansiedade, o estresse e auxilia na cura de doenças

Para saber mais: Short term meditation induces white matter changes in the anterior cingulate

http://www.yi-yuan.net/index.asp

Já li Freud e seu Mal estar da civilização. E sei que agressividade e sexualidade movem os homens e, consequentemente, o mundo. Relações humanas e afetivas são pouco valorizadas. O que vale é estar acompanhado (a), o que nem sempre significa bem acompanhado.

Encontros casuais são cotados como ações da Petrobras nas Bolsas, e as pessoas vão trocando seus parceiros de acordo com as oportunidades do pregão. Na prática, é uma dança da vassoura. Quando a música termina, alguém sempre fica sobrando. A sensação de vazio é bem ilustrada com a imagem de um bailarino sozinho, com um objeto na mão, sem saber o que fazer.

Não somos pedaços de papel que alguém disse que tem valor. E nem somos animais irracionais para os quais basta a satisfação de um instinto. Somos seres humanos, cuja complexidade biopsicológica requer maior percepção, sofisticação. Leia as duas últimas palavras como – consciência. A negação dessa natureza pode levar a comportamentos autodestrutivos que são a porta de entrada para muitos distúrbios. A busca do prazer como fim é lenha na fogueira. Para manter o calor, mais lenha tem que ser queimada.

Mas Bill MacCArthy e Eric Grodsky, pesquisadores das universidades da Califórnia e Minnesota, tiveram voz esta semana no encontro anual da American Sociological Association nos Estados Unidos. O recado que queriam dar é o seguinte: sexo sem amor aumenta o risco de problemas nas relações sociais, e ainda piora o aproveitamento escolar entre os jovens.

A amostra observada foi um grupo de estudantes. As jovenzinhas que mantinham relações sexuais não românticas tinham o dobro de chance de faltar às aulas, mais 96% de possibilidade de serem suspensas ou expulsas. Entre os rapazes, esse comportamento pode reduzir em 30% a probabilidade de ir para a faculdade. E mais. Para a ala masculina, “pular de galho em galho” aumenta em 200% a possibilidade de ser expulso ou suspenso. A conclusão dos cientistas é que, para os homens, agir assim traz um impacto muito negativo em sua formação.

Os especialistas não disseram, mas o prejuízo é geral, pois o primeiro princípio violado é o respeito humano. E aqui não há nenhum preceito moral. Um encontro sexual-amoroso, já disse outro sociólogo, é a experiência que mais se aproxima da vivência do sagrado. Como é possível vivenciar o sagrado com pessoas que nunca vimos antes e que, horas depois, precisarão olhar num post-it para lembrar-se de seu nome?

Relacionamentos estáveis, dizem os especialistas, dão suporte à vida. Mas é claro que são tremendamente difíceis, pois clamam dedicação, disponibilidade, compreensão, cumplicidade, desprendimento, e tantas outras ações… E esse encontro, para fazer bem à saúde do corpo e da alma, pressupõe perda de tempo para responder as seguintes perguntas: o que desejo para a minha vida? Para onde estou caminhado? Isso é quase um exercício de meditação.

Ah, essa pesquisa foi feita pelos republicanos, dirão. Algum médico lembrará que os hormônios imperam. Mas tudo começa no cérebro. E é graças a ele que, primeiro sentimos e, depois, pensamos.

O vazio de quem fica com a vassoura no final do baile é só uma sensação, é verdade. Mas  dançar conforme a música que tocam por aí nem sempre é uma boa escolha.

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