Na qualidade de diretor da  Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), entendo que é necessário apelar para o Senado Federal, solicitando uma nova audiência pública sobre a proposta da ANVISA para banir do mercado brasileiro os inibidores de apetite.

A razão para isso é o fato de que entendo que a agência reguladora está sendo arbitrária e unilateral, pois insiste em não considerar os apelos de inúmeros médicos e entidades que têm, desde o início das discussões, se manifestado favoráveis à manutenção desses fármacos como opção para o tratamento de pacientes obesos.

Os inibidores de apetite são medicamentos para controle da obesidade que agem no sistema nervoso central: sibutramina, femproporex, dietilpropiona e mazindol. A ANVISA iniciou em fevereiro uma série de audiências para considerar a proibição desses fármacos, com base em um estudo chamado SCOUT que indicava aumento dos riscos em pacientes com histórico de problemas cardíacos.

Entretanto, esse estudo considerou apenas pacientes com esse histórico, sendo, portanto, um estudo parcial.  A verdade é que os médicos já não indicam esses medicamentos para esses pacientes, como bem já advertiu o presidente da ABRAN, o Dr. Durval Ribas Filho. E até mesmo os cardiologistas consideram que os benefícios superam os riscos desses fármacos, desde que utilizados com indicação e acompanhamento médicos.

A própria ANVISA trouxe ao Brasil um dos responsáveis pelo estudo SCOUT, o Dr. Christian Torp-Pedersen, e até ele entende que é preciso manter esses medicamentos no mercado. A obesidade é a doença que mais cresce no mundo, e ainda não existem alternativas mais seguras. No final, não há como discordar do Dr.  Ribas, pois o maior prejudicado nessa história toda continua sendo o paciente obeso.

O painel técnico ocorrido no dia 14 de junho não permitiu a presença da imprensa como anteriormente noticiado.  E a boa fé da classe médica serviu apenas para que a ANVISA transmitisse uma falsa impressão de ter conduzido a discussão de maneira democrática. Entretanto, a agência considerou essa sessão como a última, mas a ABRAN está formalizando pedidos a senadores para que um novo painel público possa acontecer na Casa. E que todos saibam: não mediremos esforços para evitar uma decisão autoritária e antidemocrática. Se a ANVISA prosseguir nesse sentido, não restará outra opção senão usar os meios legais para solução desse problema.

*Guest Blogger: Dr. Paulo Giorelli, diretor da ABRAN, entidade médica científica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. Fundada em 1973, dedica-se ao estudo de nutrientes dos alimentos, decisivos na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da maior parte das doenças que afetam o ser humano, a maior parte de origem nutricional. Reúne mais de 3.200 médicos nutrólogos associados, que atuam no desenvolvimento e atualização científica em prol do bem estar nutricional, físico, social e mental da população.