Dentre as tantas atividades desta semana, tive também um encontro muito agradável com a Dra. Rosana Cardoso Alves, neuropediatra do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e neurologista do Fleury Medicina e Saúde. Esse evento reuniu várias Blogueiras da área da Saúde: Carol Passuelo, Glauciana Nunes, Thelma Torrecilha e Patricia Cerqueira. O tema central do bate papo foi o Distúrbio de Sono na Infância.

Depois de tantos anos, me livrei do complexo de mãe nazista, isto é, aquela que coloca seus filhos para dormir às 21h00 e ainda proíbe TV, video game e computador no quarto! Longe de ser a mãe ideal, eu simplesmente não conseguia entender como meus filhos estariam dispostos para as aulas matutinas, caso não tivessem dormido o suficiente. Além disso, depois de um longo dia de trabalho, desejava algumas horas de repouso antes de ir para a cama.

Mas então a especialista trouxe conforto para meu coração: há um fenômeno crescente na infância chamado privação do sono. A consequência disso não é apenas uma ligeira sonolência durante o dia. Observam-se  também hiperatividade, maior impulsividade, sem falar dos prejuízos cognitivos (capacidade de aprendizado).

“Cada criança possui suas características, até de origem genética, em relação aos ritmos de sono e vigília. Isso significa que algumas serão mais matutinas e outras mais vespertinas. Entretanto, elas precisam se adaptar a uma dinâmica familiar que lhes estimule um sono de qualidade”, diz  a médica.

Os padrões de sono são determinados pela presença e ausência de luz  (ritmo circadiano e cronobiologia). E esse sistema promove a perfeita produção de hormônios relacionados ao sono, como a melatonina. Embora a natureza se encarregue dessas funções com eficiência, o ritmo da vida moderna,  a exposição a estímulos como TV, video game e computadores, e por longas horas à noite, estão encurtando as horas de sono. Para o organismo, esse estado de vigília constante equivale à ausência da noite e, portanto, do sono.

“Os pais precisam saber que é normal um bebê dormir de 16 a 18 horas diárias, no primeiro ano de vida. Dormir é bom para ele e, a não ser que seja para as mamadas regulares, o sono não deve ser interrompido. A partir daí, o sono terá média de 12 horas, mais dois cochilos. Após os quatro anos, o cochilo diurno é reduzido e o sono deverá ser de 8, 9 horas diárias”, fala a Dra. Rosana.

Mas como resolver todos os problemas que envolvem a famosa hora de dormir, o que inclui os choramingos, as fugas para a cama dos pais, a insistência em ver televisão até tarde? Segundo a especialista, criança precisa de rotina e a dinâmica da família precisa atender a essa demanda. “Elas até podem ter distúrbios do sono semelhantes aos dos adultos. Mas nesses casos, raramente o tratamento é medicamentoso”, explica. “O que é preciso ser feito para viabilizar o que chamamos de higiene do sono, é uma associação positiva à hora de dormir, o que se obtém por meio de mudanças nos hábitos de vida. Isso significa impor limites e ainda criar um ritual agradável para esse momento do dia”.

Alimentos e bebidas excitantes (chocolate, bebidas à base de cafeína) devem ser evitados. TV, video games e computadores também. O quarto deve convidar ao relaxamento pela ausência de ruídos e temperatura adequada. Música suave e até uma luzinha azul são permitidas, mas o ideal é que o ambiente seja totalmente escuro. “Tomar um copo de leite, ler uma história, cantar e fazer uma oração, também são estratégias que tornam esse momento agradável para os pequenos”.

E se durante a madrugada as crianças acordarem? “Se for para o quarto dos pais, a criança deve ser levada de volta e acomodada em sua cama. Se apenas choramingar, permaneça ali por algum tempo, acariciando-a até que volte à dormir”.

Para entender o que é um distúrbio de associação, a neuropediatra citou um vídeo onde um bebê só consegue dormir ouvindo o barulho da água escorrendo na pia (quem já não ouviu falar de pessoas que levam as crianças para darem uma volta de carro antes de dormir?).

Com os votos que as noites sejam  mais tranquilas, um bom sono para todos e um alegre despertar!

*Dedico este post aos meus filhos, Victor e Marilia. Minha intenção jamais foi ser uma mamãe nazista. Eu só queria que vocês dormissem bem e tivessem saúde!