10 de março, Dia Mundial do Rim – Em 2010, o Brasil realizou 6.402 transplantes de órgãos e 4.630 deles foram de rim. Se comparado ao mesmo período de 2009, houve um crescimento de 8% nos números desse procedimento. “Com uma incidência tão significativa de pessoas que se submetem a esta cirurgia, é importante saber mais sobre o transplante renal e quais os cuidados que os transplantados precisam ter”, diz Reginaldo Carlos Boni, nefrologista e diretor do Serviço de Captação de Órgãos (SCOT) da Santa Casa de São Paulo. 

 

O transplante renal é um método efetivo de tratamento da insuficiência renal crônica, promovendo melhora na qualidade de vida dos pacientes. “Antes da realização do transplante, o paciente deve se submeter a diversos exames para assegurar que ele está em condições de passar pelo procedimento cirúrgico, além de garantir a melhor compatibilidade com o doador, minimizando assim, a possibilidade de rejeição do novo órgão”, explica o especialista.

Doenças como diabetes, hipertensão arterial, infecções urinárias recorrentes, cálculo renal, glomerulonefrites e malformações podem levar à insuficiência renal crônica. Diagnóstico  precoce e tratamento adequado são fatores importantes que podem interferir na velocidade com que algumas destas doenças evoluam para a insuficiência renal, ou ainda, minimizar os efeitos causados por elas. Dentre os sinais e sintomas da doença renal podemos destacar aumento da pressão arterial, fraqueza para atividades que antes eram feitas de forma rotineira, pele descorada (anemia), edemas (inchaço ao redor dos olhos e de extremidades), perda de apetite e alterações do hábito urinário (mudança de cor da urina, urina espumosa). A indicação do transplante de rim deve ser feita por um nefrologista em pacientes com perda irreversível da função renal.

“O paciente que vai ser transplantado passará a conviver com uma nova realidade, antes ocupada por sessões de diálise (peritoneal ou hemodiálise). Esse novo momento exige cuidado e compromisso, tanto na alimentação quanto na utilização correta dos medicamentos. Seu cotidiano muda, surgem dúvidas e, algumas vezes, o temor pela perda do rim transplantado. O apoio familiar é muito importante, além da clareza de que, caso ocorra a rejeição, esta poderá ser tratada”, informa Boni.

O transplante possibilita, na maioria das vezes, a reinserção do paciente no mercado de trabalho. Mudanças de hábitos de vida são fundamentais, como manter uma alimentação saudável e balanceada, reduzir a ingestão de gorduras e açúcares, e evitar o fumo e bebidas alcoólicas.

Depois do transplante, o novo rim pode começar a funcionar imediatamente e a diálise não será mais necessária. Porém, é possível que o órgão transplantado demore algumas semanas e, nesse caso, a diálise ocorrerá até o seu funcionamento adequado. Normalmente o paciente tem alta alguns dias após a cirurgia, porém os cuidados já começam no hospital. “Para garantir o sucesso do transplante, o transplantado deverá seguir à risca as recomendações do médico, tomando corretamente suas medicações, respeitando doses e horários, e realizando os exames que forem solicitados a cada consulta. Essa é a única forma de avaliar o funcionamento do órgão”, orienta Boni. “É importante também que o receptor compareça em todas as consultas de retorno agendadas, que logo após o transplante serão frequentes, mas, com o tempo, se tornarão mais espaçadas. Além disso, caso tenha febre, diminuição da quantidade de urina, dor no local da cirurgia e outros sintomas que não apresentava até então, a pessoa deverá procurar atendimento médico o mais rápido possível”, conclui.

Quanto à rejeição, que pode ocorrer com maior frequência nas semanas iniciais depois do transplante, existem maneiras de preveni-la e tratá-la. São utilizados medicamentos imunossupressores que evitam que o sistema imunológico reaja contra o novo rim. Dentre os imunossupressores disponíveis atualmente destaca-se o sirolimo, que inibe a proliferação celular e a produção de anticorpos. O sirolimo liga-se a uma proteína intracelular formando um complexo que inibe a ação da mTOR (Mammalian Target of Rapamycin), resultando na supressão do sistema imunológico e impedindo assim a rejeição.

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