Primeiro mundo funciona assim: apesar das contradições do humano que compõe as instituições governamentais, há verdadeiros interesse e movimento em direção ao controle daquilo que se chama interesse público. Por isso, tudo que possa influenciar a vida dos cidadãos é devidamente monitorado para que todos possam ser beneficiados. Guiada por esse importante valor, a London School of Economics realizou uma pesquisa internacional para saber qual o papel da internet, incluídas as mídias sociais, nos serviços de saúde.

O estudo, denominado Bupa Health Pulse 2010, contou com a participação de mais de 12 mil pessoas em doze países, entre eles, a Austrália, o Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Itália, México, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Embora o acesso à internet seja restrito a menos da metade da população brasileira, o percentual de pessoas que acessam a internet é de 29%. Entre estas, aquelas que procuram conselhos médicos, informações sobre remédios e doenças corresponde a cerca de 30%. As explicações para esse fenômeno, segundo os pesquisadores, são o difícil acesso aos serviços médicos em nosso país, além dos altos custos das consultas especializadas. Consultar o Dr. Internet seria, então, uma alternativa mais rápida e barata.

Na Itália, por exemplo, oito entre dez usuários de internet devoram informações sobre saúde, e um, entre dois, busca encontrar na rede dados para a autodiagnose. Cerca de 13% recorre às mídias sociais como Facebook para comentar, perguntar ou aprofundar-se nesses assuntos. Outros 2/3 declaram solicitar prescrições online, e muitos gostariam de ter acesso às suas fichas clínicas via internet. Mais dados mostram que 34% da população italiana procura informações médicas antes de consultar seu médico (lá, cada um tem seu médico responsável, em sua região domiciliar).

Os pesquisadores da escola inglesa afirmam que esse fenômeno tende a crescer, especialmente com a projeção do aumento das vendas de equipamentos como Ipad e Smartphones.

Segundo Sneh Khemka, diretor médico da Bupa International, como as informações na internet podem ser pouco confiáveis, as consequências dessas consultas podem ser desastrosas. “De um lado, as pessoas se sentem falsamente confiantes em relação a sintomas potencialmente perigosos; de outro, informações imprecisas podem levar ao completo descaso, quando seria necessário agir imediatamente”, diz.

Na Europa, já existe uma organização não governamental encarregada de conferir selo de qualidade a websites cujo conteúdo é  a saúde. Trata-se da Health On the Net Foundation (HonCode). E esse tipo de certificação é um ideal  a se realizar. Na ausência desse serviço, confira as dicas dos especialistas para selecionar sites fidedignos:

  • Seja específico ao inserir palavras chave para as pesquisas na internet

  • Escolha sites onde seja possível identificar quem está fornecendo a informação. Comece pela seção QUEM SOMOS, que deve ser lida com atenção

  • Dê preferência para sites de sociedades científicas, associações de pacientes e organismos institucionais

  • Confira se há assinatura e data

  • Verifique se não existe conflito de interesse entre o que indica o site e a natureza da organização que fornece as informações, bem como os autores convidados a escrever sobre determinado assunto

  • Preste atenção às informações colhidas do Facebook, ou nas redes sociais da Web.2 (Wikipedia e Blogs) – seus conteúdos são fruto da colaboração de pessoas que raramente possuem competências específicas na área da saúde ou são médicos

O Instituto Negri de Milão disponibiliza para os cidadãos o seguinte questionário para guiar os usuários de internet:

Há indicação de quem são os autores do conteúdo?

Há indicação de fontes da informação?

Há data de atualização do conteúdo?

Há informação sobre a quem pertence o site?

Há indicação de eventuais patrocinadores?

Se há alguma propaganda, ela difere do resto do conteúdo?

Há declaração de algum conflito de interesse?

Os objetivos são claros?

O site fornece detalhes de fontes de informações que podem ser consultadas?

O site ajuda o usuário a tomar decisões sobre sua própria saúde?

Seguindo todos esses passos, o usuário de internet diminui o risco de obter informação não confiável  relacionada à saúde. Entretanto, como cada caso é um caso, o médico será sempre a pessoa mais indicada para esclarecer dúvidas, avaliar e tratar sintomas e doenças.

Para saber mais: confira os dados da pesquisa da London School of Economics e Bupa Health

Untangling the web: Online Health

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