Um recente estudo confirmou que ter baixa renda está associado ao maior risco de sintomas de depressão em pacientes com Artrite Reumatoide (AR). A notícia é que há diferenças significativas em relação à raça e atendimento médico público ou privado. Essas conclusões serão publicadas em fevereiro pela revista Arthtitis Care&Research.

Cerca de 1.3 milhões de americanos sofrem com AR – doença autoimune que pode causar limitações funcionais e pode levar à desabilidade física em muitos pacientes. Estudos anteriores evidenciaram que a depressão é um fator comum, e ocorre em 13% a 42% dos casos, além de estar  associada a outras situações de risco como ataque cardíaco, suicídio e morte. Nos EUA, problemas socioeconômicos, mensuráveis por raça, sexo, idade, renda, educação e acesso à saúde têm impacto importante na saúde em geral.

Segundo Mary Margaretten, médica do Arthritis Research Group at the University of California (São Francisco) e organizadora do estudo, o status econômico influencia sim a relação entre desabilidade e depressão, e esse detalhe permite melhor identificar pessoas com alto risco de depressão.

O estudo mostrou que entre os participantes da pesquisa, 37%  apresentavam quadro de depressão grave ou moderada. Houve diferenças entre pacientes deprimidos e não deprimidos relacionadas à raça, serviço público versus serviço privado, limitações funcionais e tratamentos. Diferenças na gravidade da depressão não foram observadas em relação a gênero, idade, duração da doença, uso de esteroides, doses ou terapia biológica.

Além disso, a pesquisa mostrou que pacientes atendidos por hospitais locais tinham níveis maiores de depressão, do que os atendidos pelos hospitais universitários. Uma interação existente entre status socioeconômico e desabilidade, assim como a associação com limitação funcional com depressão foi mais forte entre os pacientes dos hospitais públicos se comparados às clínicas privadas.

A conclusão dos pesquisadores é que pacientes de baixa renda podem estar mais propensos à depressão. Detectar e documentar esse estado pode ajudar os reumatologistas a melhorar seus resultados, iniciando o tratamento tempestivo e apropriado da depressão.

Bem, o quê dizer? Se essa pesquisa fosse feita no Brasil, o que encontraríamos? Gente feliz pela própria natureza? Dinheiro é bom, todo mundo sabe disso. Mas quando estamos doentes, talvez ele não possa comprar saúde, mas garante qualidade de vida, dignidade. Aqui, como lá, não ter dinheiro, nessas horas, pode apressar a vontade de desistir da vida. E tome antidepressivos!

 

 

Para saber maisSocioeconomic Determinants of Disability and Depression in Patients with Rheumatoid Arthritis. M. Margaretten, J. Barton, L. Julian, P. Katz, L. Trupin, C. Tonner, J. Graf, J. Imboden, E. Yelin. Arthritis Care and Research.