Estou sentada numa praça de alimentação, e as mil opções para o almoço incluem frituras à vontade. Frango, batatas, carne, cebolas. Meus companheiros  me perguntam se não tomo refrigerante. Prefiro água. E diante dos hamburgers mega blasters, desejo apenas comer uma verdura cozida. As saladas, sempre frias, não me apetecem numa temperatura abaixo dos 10°C. Olho os wrapps, uma espécie de lanche feito com pão pita e recheios mil. E encontro um veggie, com falafel. Embora eu não seja vegetariana, o estômago clama por algo natural,  quente e familiar. Peço também um minestrone. Cheia de alegria, abro a sopinha – e nela encontro mais pimenta que em todas as embarcações medievais transportando essa especiaria pela Europa! As pessoas nas mesas ao lado comem pratos idênticos com um prazer que eu não consigo encontrar. Jovens, idosos e crianças. Meu sonho de consumo é um arrozinho japonês. Quem sabe um feijãozinho.  Na sopa, pesco um grão e fico feliz por um segundo.

Então lembrei que no domingo passado, às 7h00, eu já estava ouvindo o rádio. A essa hora, há espaço para falar sobre  o mito do câncer pulmonar. Personagens contam ao vivo como perderam seus entes queridos porque eles fumavam. Esse desaparecimento precoce fez com que eles fundassem uma associação e, naquela semana, haveria uma ação de conscientização sobre o tema do tabagismo, incluído o passivo. A notícia é que até crianças têm morrido em razão de complicações consequentes ao tabagismo na família.

Nesta manhã, ao invés de câncer pulmonar,  ouvi  a voz do Dr. Joe Esposito, nutricionista clínico e quiroprático. O tema do programa era  Are you eating yourself to death? [Sua alimentação o está levando à morte?]. Pelo que vi nas mesas de todo mundo, a resposta a essa pergunta é sim! A questão do Dr. Esposito, cujo sobrenome de origem napolitana nos remete imediatamente à boa e saudável comida mediterrânea, era a seguinte: por que continuamos a fazer coisas que sabemos que não são saudáveis?

E então ele apresenta o tripé no qual se apoia a boa saúde: bom funcionamento do sistema nervoso central, boa digestão e dieta saudável.  Hello!!!!, pensei. Isso mais parece lição de medicina tradicional!!!! Aí ele conta que estava preparando o café da manhã para a filha e, tendo perguntado o que ela queria, a menina lhe respondeu: quero sorvete! Ele não teve dúvida. Abriu o freezer e inventou um sorvete com frutas vermelhas congeladas, sem nenhuma gordura ou conservante. No final da refeição, a pequena lhe disse – tenho certeza que ninguém vai acreditar que eu tomei sorvete no café da manhã!

De volta à praça de alimentação e olhando o menu disponível, entendi que ninguém mais quer perder tempo cozinhando, nem mesmo uma verdurazinha ou um peixe no vapor. Ninguém se importa se os talheres são de plástico, se a comida vem num saco de papel, ou se não há mesa posta com toalha e florzinha para decorar.  Comer se transformou em algo mecânico, sem importância.

Mas se pensarmos na história de todas as civilizações, perceberemos que comer sempre foi considerado algo sagrado. Os rituais religiosos sempre partilham pão e vinho, não porque eles podem representar o sangue e o corpo do espírito crístico, mas porque é na mesa e ao lado das pessoas que amamos que cultuamos o maior bem que possuímos: a vida.

Os fast foods que me perdoem, mas comer bem é fundamental.

Para conhecer o Dr. Joe Esposito: http://www.drjoeesposito.com/index.html