As doenças cardiovasculares são responsáveis pela maior causa de mortalidade em todo o mundo, e para o sistema de saúde são motivo de grande preocupação. Na distribuição global das causas de morte, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), elas apresentam a maior incidência, sobrepujando as neoplasias (câncer de pulmão e mama), traumas por acidentes de trânsito e até AIDS. O grande impacto dessas patologias, além da mortalidade, são as complicações clínicas de alta morbidade: o infarto agudo do miocárdio, o acidente vascular cerebral e as doenças vasculares.

A boa notícia é que  o risco de morte por doença cardiovascular tem apresentado uma redução considerável nos últimos anos, resultado da prevenção e diminuição dos fatores de risco controláveis como tabaco, hipercolesterolemia, hipertensão, sedentarismo, obesidade e diabetes.

As alterações no ritmo cardíaco são denominadas Arritmias Cardíacas e podem surgir em indivíduos aparentemente normais. Nesses casos, são consideradas de caráter benigno e o tratamento adequado pode levar ao controle e até à cura. Elas também podem estar associadas a doenças cardíacas estruturais, cuja causa são enfermidades congênitas (desde o nascimento) ou adquiridas (por complicações de outras doenças). A forma como se manifestam são freqüência baixa (bradicardias) ou alta (taquicardias), e ambas podem levar à parada cardíaca e, de consequencia, à Morte Súbita. A enfermidade requer tratamento específico: uso de drogas antiarrítmicas, implante de marcapasso cardíaco, ablação por cateter dos focos de arritmia ou implante de um dispositivo denominado Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI).

Dentre as modalidades malignas, a Fibrilação Ventricular é a mais grave das arritmias cardíacas. Isso porque leva ao óbito cerebral em poucos minutos, principal mecanismo de Morte Súbita Cardíaca, definida como morte natural de causa cardíaca, caracterizada por perda súbita de consciência no período de até 1 hora, desde o início dos sintomas. Acomete pessoas sadias ou que sabiam ser portadoras de doenças no coração, porém o tempo e as circunstâncias da morte são totalmente inesperados.

A Morte Súbita Cardíaca tem uma incidência maior no sexo masculino, aumenta com a idade (pico entre 45 e 75 anos) e, em 80% dos casos, tem relação com a doença arterial coronariana. Outras patologias ou disfunções específicas são as cardiomiopatias, doenças valvares, doenças congênitas, miocardites secundarias e alterações eletrofisiológica primárias. A patologia  se manifesta em pacientes com distúrbio eletrofisiológico primário e coração estruturalmente normal, acometendo jovens na sua fase produtiva.

A recuperação pode ser completa desde que o seu atendimento seja o mais rápido possível. O sucesso da recuperação implica no diagnóstico precoce da Parada Cardíaca e início imediato das manobras de Ressuscitação Cardiorespiratoria, acompanhadas do uso do Desfibrilador Automático Externo (DEA), pois a desfibrilação imediata é o tratamento mais eficaz para essa arritmia. O índice de sucesso depende diretamente do tempo transcorrido entre o pedido de socorro e a desfibrilação. Mas atenção, as chances de êxito diminuem cerca de 10% a cada minuto de atraso, e os melhores resultados estão nos primeiros 3 a 4 minutos.

Pacientes de alto risco devem ser tratados com uma ou com a associação das terapias preconizadas: medicação, ablação ou cardioversor-desfibrilador implantável – dispositivo cardíaco eletrônico implantado no paciente através de um procedimento cirúrgico, hoje largamente difundido e que proporciona redução da mortalidade. Diante de um episódio de Fibrilação Ventricular o aparelho reconhece a arritmia e, automaticamente, aplica o choque terapêutico e salvador.

A ressuscitação cardiopulmonar eficiente com aplicação imediata de choque com DEA pode triplicar as chances de sobrevivência após a parada cardíaca. Por isso o desenvolvimento de programas de treinamento para socorristas leigos e policiais para atuação em ambiente extra hospitalares, como vias públicas, aeroportos, shopping centers e estádios de futebol é fundamental para a recuperação de cidadãos acometidos de Morte Súbita.

A Sociedade Brasileira de Arritmias Cardiacas (SOBRAC) tem dado a sua parcela de contribuição à sociedade nesse contexto. Desde 2007 lançou uma campanha de âmbito nacional intitulada “Coração na Batida Certa”, com a oficialização do dia 12 de Novembro como Dia Nacional de Prevenção de Arritmias Cardíacas e Morte Súbita, cujo objetivo, além de conscientizar e esclarecer a população sobre Morte Súbita, é mobilizar órgãos governamentais e empresariais a disponibilizarem Desfibriladores Externos Automáticos em locais de risco.

GUEST BLOGGER: Dr. Luiz Antonio Castilho Teno, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas.

Para saber mais: www.sobrac.org