Ser sozinha no século XXI é mais uma opção pessoal do que a falta da mesma. Muitas mulheres atualmente fazem esse tipo de escolha. Principalmente quando descobrem que não precisam trocar de mantenedor ou protetor, após saírem da casa dos pais ou se divorciarem ou mesmo quando ficam viúvas. A mulher de hoje, muito mais facilmente percebe que pode estar no comando de sua própria vida.

O estar só, dentro deste contexto, pode significar um momento de entressafra onde a mulher, por opção, pode decidir se quer ou não ter um parceiro. A diferença brutal de antigamente para os dias atuais é que a mulher bem resolvida sabe que não necessita de um homem a tiracolo para ter um lugar no mundo.

Ela mesma pode e faz o seu lugar, bem como seu status social. O mundo, agora, principalmente nas grandes metrópoles, não mais instiga, como antes, que a mulher seja submissa ou que tenha que depender de um homem para sustentá-la nas mais diversas modalidades.

O fato de a mulher estar sozinha não implica em tempo de duração e, sim, no aspecto emocional e condicionamentos culturais. Note que isso não é uma apologia sobre os benefícios de se estar só. Tanto a mulher, como o homem, quando inteiros, podem escolher ter um companheiro de jornada autêntico, que não esteja embolado em meio a uma linha cruzada de projeções recíprocas embasadas nas necessidades pessoais de cada um.

Por outro lado, num processo de solidão involuntária, existe a oportunidade para que o sexo feminino dinamize o seu lugar no mundo, incluindo pesquisa acurada sobre si mesmo. Imagine-se num relacionamento de anos, algo abrupto ocorrendo onde repentina e inexoravelmente você se encontre só. O que fazer nessas ocasiões?  O primeiro passo seria observar o quanto de si mesma estava no parceiro e aos poucos ir resgatando pedaços cedidos.

Simultaneamente, parar para refletir sobre o quanto vivia em função da relação. Por fim, buscar conhecer sua própria identidade que, na certa, independe de qualquer relacionamento. Essa jornada interior requer cuidado especial e amorosidade consigo mesmo, nunca pena. Pesquisar gostos pessoais pode ser o prenúncio de um bom começo.

A solidão involuntária, seja por qual motivo tiver acontecido, é excelente momento para que um desenvolvimento interior mais profundo aconteça. Pode até ser um ponto de partida em que novas habilidades surjam e um preparo, dependendo da situação de vida, para que a mulher reveja o que deseja conquistar num próximo relacionamento.

Muitas vezes um processo t erapêutico é bastante indicado no sentido de abrir amplo espaço para que o autoconhecimento se instale em meio a dinamismo e clareza. E em determinados casos, para que uma depressão maior não se instale. Não devemos desprezar as mudanças de vida. Se a pessoa tem uma identidade construída no outro, ficar só repentinamente pode ser desastroso. Equilibrar-se novamente requer tempo, necessidade de apoio e ajuda de amigos.Lembrando novamente que bom processo terapêutico também é bem vindo.

Uma das premissas para checar se a solidão passou dos níveis de suportabilidade é verificar como estão os contatos com amigos e outros. Se estes estiverem reduzidos demais, o alerta se faz importante. Quando se perde a motivação para sair, encontrar com pessoas ou atividades de interesse pessoal, também. Observar o nível de alegria, e de bom tom, às vezes a pessoa pode estar deprimida, sem se dar conta. Não é porque não se encontra jogada numa cama, sem ânimo, que não está em estado depressivo.

A vida acontece em ambientes relacionais e sempre crescemos por intermédio das nossas relações. Momentos de solidão e de encontro consigo mesmo são extremamente importantes para que nós possamos dar significados a nós mesmos. Porém, quando em excesso, esses mesmos significados, correm o risco de se perderem.

Tanto a solidão voluntária, como a involuntária podem ser um forte disparador de questionamentos a ponto de levar a mulher a se conhecer de modo diferenciado. As que pegam carona nesses questionamentos têm a oportunidade de construir fortalecimento inquebrantável. A questão é saber como trabalhar com o novo e saber tirar proveito.

Nós, mulheres, somos provedoras, não ao contrário, como nos foi ensinado. Isso me faz lembrar o livro de Riane Eisler quando conta sobre nossa história e relata como nossas forças arquetípicas foram invertidas e que, agora, novamente estamos clamando e c onquistando de volta nossos lugares primordiais. Quem souber pegar essa onda e incorporar de volta o que já é nosso, pode se beneficiar tremendamente num caminho de capacitação e segurança de si mesma, sem retrocessos.

Como exemplo disso, em seu livro, Riane revela que a mulher primitiva era muito reverenciada em todos os seus tempos de vida. Quando menstruava, freqüentemente, deixava escoar seu sangue na terra, para que a sua força pudesse arar dando boa colheita. Quando engravidava, a mesma força do seu sangue servia na crença popular, para alimentar o nenê que estava sendo gerado… E, finalmente, quando entrava na menopausa, seu sangue e poder permaneciam definitivamente com ela tornando-a, por conseqüência, a velha sábia a quem todos reverenciavam pedindo conselhos.

Cabe a nós, mulheres do século XXI, resgatarmos nossas raízes. Sozinha ou não, você está pronta?

Habilite-se e procure o que for necessário  e entre em contato com a sua força matriz.  Só não fique parada, Busque, ouse e conquiste-se.

Guest BloggerSilvia Malamud, psicóloga, atua em seu consultório em São Paulo. Terapeuta licenciada em EMDR, Brainspotting, Psicoterapia Breve e Psicoterapia de Casais. Autora do livro “Projeto Secreto Universos”.

silviamak@gmail.com

Para saber mais: Riane Eisler – O cálice e A espada