Já li Freud e seu Mal estar da civilização. E sei que agressividade e sexualidade movem os homens e, consequentemente, o mundo. Relações humanas e afetivas são pouco valorizadas. O que vale é estar acompanhado (a), o que nem sempre significa bem acompanhado.

Encontros casuais são cotados como ações da Petrobras nas Bolsas, e as pessoas vão trocando seus parceiros de acordo com as oportunidades do pregão. Na prática, é uma dança da vassoura. Quando a música termina, alguém sempre fica sobrando. A sensação de vazio é bem ilustrada com a imagem de um bailarino sozinho, com um objeto na mão, sem saber o que fazer.

Não somos pedaços de papel que alguém disse que tem valor. E nem somos animais irracionais para os quais basta a satisfação de um instinto. Somos seres humanos, cuja complexidade biopsicológica requer maior percepção, sofisticação. Leia as duas últimas palavras como – consciência. A negação dessa natureza pode levar a comportamentos autodestrutivos que são a porta de entrada para muitos distúrbios. A busca do prazer como fim é lenha na fogueira. Para manter o calor, mais lenha tem que ser queimada.

Mas Bill MacCArthy e Eric Grodsky, pesquisadores das universidades da Califórnia e Minnesota, tiveram voz esta semana no encontro anual da American Sociological Association nos Estados Unidos. O recado que queriam dar é o seguinte: sexo sem amor aumenta o risco de problemas nas relações sociais, e ainda piora o aproveitamento escolar entre os jovens.

A amostra observada foi um grupo de estudantes. As jovenzinhas que mantinham relações sexuais não românticas tinham o dobro de chance de faltar às aulas, mais 96% de possibilidade de serem suspensas ou expulsas. Entre os rapazes, esse comportamento pode reduzir em 30% a probabilidade de ir para a faculdade. E mais. Para a ala masculina, “pular de galho em galho” aumenta em 200% a possibilidade de ser expulso ou suspenso. A conclusão dos cientistas é que, para os homens, agir assim traz um impacto muito negativo em sua formação.

Os especialistas não disseram, mas o prejuízo é geral, pois o primeiro princípio violado é o respeito humano. E aqui não há nenhum preceito moral. Um encontro sexual-amoroso, já disse outro sociólogo, é a experiência que mais se aproxima da vivência do sagrado. Como é possível vivenciar o sagrado com pessoas que nunca vimos antes e que, horas depois, precisarão olhar num post-it para lembrar-se de seu nome?

Relacionamentos estáveis, dizem os especialistas, dão suporte à vida. Mas é claro que são tremendamente difíceis, pois clamam dedicação, disponibilidade, compreensão, cumplicidade, desprendimento, e tantas outras ações… E esse encontro, para fazer bem à saúde do corpo e da alma, pressupõe perda de tempo para responder as seguintes perguntas: o que desejo para a minha vida? Para onde estou caminhado? Isso é quase um exercício de meditação.

Ah, essa pesquisa foi feita pelos republicanos, dirão. Algum médico lembrará que os hormônios imperam. Mas tudo começa no cérebro. E é graças a ele que, primeiro sentimos e, depois, pensamos.

O vazio de quem fica com a vassoura no final do baile é só uma sensação, é verdade. Mas  dançar conforme a música que tocam por aí nem sempre é uma boa escolha.