Toda hora aparece uma receita nova para combater a depressão. E as propostas sempre envolvem uma iniciativa ativa por parte de quem sofre com a doença, o que pode ser um grande obstáculo, já que a depressão pressupõe um desejo de não fazer nada. Mas um psicólogo americano, Dr. Stephen Ilardi, da Universidade do Kansas, acaba de lançar um livro que promete ensinar seis passos para combater o mal que pode acometer 20% da população. Nos últimos 30 anos, a chance de sofrer com a depressão dobrou e, segundo o especialista, as terapias medicamentosas não funcionam.

Ok. Eu também leio todos os dias que as doenças, cada vez mais, têm sido enfrentadas com maior eficiência, graças a ações que conjugam os esforços de equipes multidisciplinares. Os remédios, sozinhos, ajudam, mas é sempre preciso uma ação humana para potencializar seus efeitos.

Nada de novo no front. A ideia de Ilardi é turbinar a vida social, pois o cérebro interpreta a dor da depressão como se essa fosse uma infecção – então a vontade é estar isolado até que as coisas melhorem. E quem sofre com o problema precisa exatamente do contrário. Os outros ingredientes da receita do psicólogo americano é uma dieta rica em ômega-3, exposição ao sol e sono de boa qualidade.

Os antidepressivos ajudam só em 50% dos casos e dentro desse percentual, 25% tem recaídas. Os efeitos colaterais não agradam – indiferença emocional, disfunção sexual e ganho de peso. A terapia já tem sido observada por pesquisadores da universidade de Ilardi e os resultados preliminares são animadores: quem se submeteu a ela obteve melhora.

O ponto de vista do psicólogo faz pensar. Ele acredita que o maior responsável pelo crescimento da doença em todo o mundo é o estilo de vida moderno. O progresso tecnológico foi um avanço, mas prejudicou os homens, obrigando-os a uma vida sedentária, pobre em nutrientes, distante da natureza, horas de sono diminuídas, isolamento social, além do frenesi da rotina diária.

O ambiente evoluiu, mas o genoma humano continua sendo aquele de 12 mil anos atrás. Nossos corpos ainda são de coletores e caçadores. Mas não agimos mais assim. Daí o impacto. Ilardi diz que em tribos que ainda mantém essa tradição, o índice de depressão é igual a zero. As razões para isso seriam a intensa atividade física, a exposição à luz natural, dieta e conexão social. O sono nesses grupos é de 10 horas/dia. A nossa média de sono é de 6-7 horas.

Estamos todos convidados a viver em tabas? A resposta é não! A sugestão é mudar o estilo de vida para adaptar nossa natureza à vida moderna. Suplementos à base de óleo de peixe é a indicação principal, sol na medida certa, e ficar atento ao consumo de antioxidantes para potencializar a ação do óleo de peixe são os detalhes importantes. E mesmo quem não convive com a depressão pode se beneficiar, já que essas medidas trazem conforto e bem estar.

Anote aí as dicas do especialista:

– Aproveite o sol, durma bem e seja sociável

– Tome 1,500mg de ômega-3 diariamente (cápsulas de óleo de peixe), mais um multivitamínico e 500mg de vitamina C

– Não se deixe levar por pensamentos negativos – quando esses pensamentos aparecerem, inicie uma atividade, mesmo que seja uma conversa.

– Exercite-se ao menos 90 minutos por semana

– Tome de 15 a 30 minutos de sol toda manhã.

– Seja sociável

– Durma 8 horas por dia

Para saber mais: The depression cure: The 6 step program to beat depression without drugs