Voltemos ao terceiro princípio de Hipócrates: quando nem os contrários nem os semelhantes curam, o que convém é o que cura. Então procuramos inspiração em tradições milenares. As culturas médicas chinesa e indiana passam a ser referência pois, no mínimo, têm largo histórico de casos clínicos. O corpo humano é sempre o mesmo. As doenças, basicamente, também: elas podem variar em novas formas de manifestação, e até em suas causas, mas sempre estaremos diante dos mesmos quadros de desequilíbrio nos sistemas que regem o organismo.

Então me deparo com algo que não é propriamente uma novidade, mas que veio de encontro a um diálogo tido com uma querida amiga-irmã pelo telefone esta semana. Como sabem, meus melhores amigos estão todos longe do Brasil. Eu já não aguento mais essa distância forçada. Sob o ponto de vista deles, eu é quem estou longe, pois eles se fixaram em algum ponto do hemisfério norte, e lá permanecerão por longo período. Bem, aí ela contou um episódio em que seu namorado, depois de horas de digressão sobre como é difícil se relacionar, olhou para ela e disse: “Não há razão porque chorar, nem reclamar. A coisa é simples assim – não há história, não há nada. Há só o agora e a vida a viver com todas as possibilidades abertas. Cabe a nós conduzí-la para outro patamar!”. O relato se finalizou com um convite: “Cris, vamos rir, rir de nós mesmas!”.

Sem saber, minha amiga estava passando a receita de uma prática terapêutica chamada Laughter Yoga, ou Yoga do Riso, que combina técnicas respiratórias com exercícios de riso. A ideia nasceu em 1995, quando um médico indiano, Dr. Madan Kataria, passou a observar os benefícios terapêuticos do riso, e convidou um grupo de 5 pessoas para começar. Hoje ele conta com mais de 6 mil Clubes do Riso em sessenta países. “Essa foi uma ideia única baseada no fato de que todo mundo pode rir para melhorar a saúde. Exercícios de respiração iogues permitem levar mais oxigênio para o corpo e o cérebro, fazendo com que nos sintamos mais saudáveis e energizados. E mesmo quando o riso é forçado, nosso corpo é incapaz de identificar a diferença. Por isso, produz os mesmos benefícios para a saúde, sejam eles fisiológicos ou bioquímicos”, diz o especialista.

O video que indico abaixo mostra um fragmento das sessões de Kataria, onde ele convida os participantes a sorrir abertamente fazendo cumprimentos, falando ao telefone, ou preparando um coquetel de sorriso, degustando dele com uma imensa risada.

A ciência assina embaixo. Um recente estudo realizado por cardiologistas da University of Maryland Medical Center de Baltimore (EUA), é o primeiro a indicar que rir previne doenças cardíacas. Um dado importante identificado é que quem possui doenças desse tipo apresenta menor capacidade para rir, comparadas às pessoas sãs. “Nós não sabemos ainda porque rir protege o coração, mas sabemos que o estresse mental está associado a danos no endotélio, camada celular que forra interiormente os vasos sanguíneos. E essa pode ser a causa de uma série de reações inflamatórias que levam ao aumento dos níveis de gorduras e colesterol nas artérias, culminando num ataque cardíaco”, afirma o médico Michael Miller, diretor do Centro que realizou a pesquisa.

O importante, afirma o cardiologista americano, é rir mais e todo dia. Levar a vida menos a sério, mesmo que isso pareça impossível. Mesmo que, a nossa volta, não existam muitos motivos concretos para isso. Ok. Começemos já. (O vídeo abaixo é bem antiguinho, mas eu não tinha visto ainda…).