No final dos anos 1990 eu fazia um curso de especialização em Gestão de Negócios. Naquela época, jamais poderíamos imaginar como a Internet iria revolucionar nossa forma de viver. Mas um de meus professores  dizia que a informação seria o valor mais importante a ser preservado nos anos que viriam. Claro, ele falava de modo genérico e, provavelmente, se referia ao conhecimento e à comunicação, à utilização da informática para solucionar problemas antes impossíveis. Duvido que suas profecias tivessem abrangido mudanças que ligariam genética e computadores. Duvido que em sua cabeça tivesse passado a ideia de que as vacinas já não seriam feitas por meio do cultivo de vírus e bactérias em laboratórios, mas no computador, através do mapeamento do DNA da doença que se deseja erradicar.

Pois é, dias atrás publiquei um post sobre o uso do telefone pelos psicólogos como ferramenta de trabalho. Hoje, outro estudo chegou ao meu conhecimento. Desta vez, alguns pesquisadores de várias  universidades da Suécia  observaram um grupo de 104 pacientes com Síndrome de Pânico. A conclusão a que chegaram é que a internet é um poderoso instrumento para a aplicação da Terapia Cognitivo Comportamental, seja em grupo ou individualmente.Os pacientes foram divididos em duas equipes: uma parte se submeteu à terapia convencional; a outra, utilizou a internet. Após seis meses, todos foram reavaliados. Uma vez aplicada a escala que mede o pânico (Panic Disorder Severity Scale – PDSS), todos apresentaram melhora significativa dos sintomas. Entretanto, entre os pacientes submetidos à terapia online, o aproveitamento foi melhor.

A pesquisa concluiu pela eficácia da Terapia Cognitivo Comportamental, via Internet,  para pacientes com transtorno de pânico, e sugere que ela é tão, ou igualmente eficaz,  como o método tradicional, especialmente quando o objetivo é reduzir os sintomas do pânico e da agarofobia, e ainda pode ser uma alternativa para o melhor aproveitamento do tempo do terapeuta.

Bem, como tudo nesta vida tem seus dois lados, parece que a Internet pode ser deus ou o diabo. Talvez os gregos tenham razão quando dizem que a virtude está no equilíbrio. Mas, um deles, em especial, sintetiza a razão do sucesso das iniciativas desses profissinais que trabalham com uma matéria prima chamada alma. Epicuro, 300 a.C, dizia que “Não temos tanta necessidade da ajuda dos amigos como da confiança na sua ajuda”.

Quem me conhece sabe: sempre achei que, para além das técnicas terapêuticas, todas muito interessantes, úteis e eficazes, terapeutas são amigos que pagamos para nos ouvir, com a certeza de que serão fiéis, e ainda nos ajudarão a dar passos nos labirintos de nossa existência. Saber que eles estão lá, disponíveis, via internet ou pessoalmente, é meio caminho andado.

Para saber mais: Internet versus group administered cognitive behaviour therapy for panic disorder in a psychiatric setting: a randomised trial