Parece provocação intitular um post parafraseando o nome deste blog. Mas a razão disto é sair um pouco da proposta “técnica” sobre medicina e saúde, aqui encontrada com maestria em todos os demais textos desde sempre.

A proposição é mostrar a evolução da relação entre os meios de comunicação e a saúde, de uma forma geral, e a medicina, em específico. E a conversa, na última década, melhorou. E muito. Graças aos profissionais de comunicação que se jogaram nos livros, nos estudos, em congressos, em especializações. Enfim, aos que diminuíram o hiato até então existente. Mérito deles, bom para as empresas de comunicação (TVs, rádios, jornais, revistas, sites etc.) que souberam aproveitá-los e, melhor ainda, para o leitor, internauta, ouvinte, telespectador, consumidor final, que merece ter esclarecida sua dúvida, em qualquer assunto, sobretudo em relação à saúde e a medicina, um das áreas de maior interesse e audiência.

Recentemente, um notável especialista em saúde me confidenciou: como é bom dar entrevista para quem entende ou para quem consegue ouvir – “ouvir” é diametralmente oposto ao verbo “escutar”, no sentido de aplicar apenas o sentido da audição.

Em alguns casos, o despreparo para ouvir, a falta de conhecimento específico ou argumentos para interpelar entrevistados e fontes, é resquício dos despreparados centros acadêmicos, que despejam profissionais de comunicação prontos para executar, mas inaptos para pensar. E quando isto acontece, perde-se a grande oportunidade da compreensão. O que resta deficiente é a qualidade da transmissão da ideia, isto é, o problema extrapola o ato básico de comunicar: ter um emissor e um receptor.

Como a medicina e a saúde são artes muito vastas, que compõem o micro e o macro em todos os instantes e instâncias, portas-vozes da área se imbuem de muito respeito ao expor seus conhecimentos. Normalmente, estão à disposição para emitir elucidativas respostas. Na interface deste diálogo está o profissional de comunicação que deve, com o mesmo respeito, disponibilizar estes conhecimentos de forma o mais compreensível possível para seu público.

A difícil conversa com a medicina, ainda que com avanços, merece atenção, tanto dos que sabem muito quanto dos muitos que sabem pouco. Não é fácil, mas existe um exemplo clássico onde o simples e o complexo se encontram. É o caso da belíssima letra “Outras Palavras”, do mais que complexo Caetano Veloso. À primeira vista, a letra é de difícil entendimento. Com atenção, percebe-se que é mais simples do que se poderia imaginar.

Escrita com um grande número de palavras inventadas, “Outras Palavras” traz termos comuns, como “cérebro, máquina, palavras, sentidos, corações, Hiperestesia”. Bom, tem até um termo médico (sensibilidade excessiva a qualquer estímulo), que pode ser “complexo”, mas não deixa de ser simples dentro do contexto da composição. E é assim que acontece muitas vezes na conversa entre os meios de comunicação e a saúde, a medicina e a ciência. Muitas vezes fácil, quando o receptor ouve; complexo, por outro lado, se ele apenas se dispuser a escutar.

*GUEST BLOGGER: Ricardo Berlitz é jornalista especializado em Comunicação Corporativa.

Para saber mais: http://baruco.wordpress.com

http://consciarte.wordpress.com/2010/06/30/outras-palavras/