Nossos celulares e computadores são hoje uma extensão de nossas mentes. Alguém disse – quando meu Iphone apagou, vivenciei a morte. Tive a impressão de que tinha perdido a cabeça”.

“A tecnologia propõe por si mesma uma arquitetura de nossa intimidade”, explica a professora do MIT Sherry Turle para uma grande plateia da Harvard University Extension School. O evento – ‘A vida acorrentada: tecnologia remodela a intimidade e a solidão’, fechou a celebração do centenário da escola.

“No momento em que escrevemos uma mensagem no telefone, email ou Twitter, estamos redesenhando os limites entre a intimidade e a solidão”, diz a professora. “Os jovens evitam o telefone, temerosos em revelar demais. Além disso, demora muito; eles preferem mandar um SMS a  falar.  E os adultos também escolhem os teclados ao invés da voz humana”.

Acorrentados à tecnologia, nos sentimos desamparados quando o mundo virtual não tem significado ou não satisfaz. ‘Após uma noite de conversa de avatar-para-avatar numa rede de games, nos sentimos, num primeiro momento, na posse de uma vida social plena; depois, vem a curiosa sensação de isolamento decorrente da tênue cumplicidade com estranhos’.

Nessa provocante palestra, Turkle, que é fundadora e diretora de uma iniciativa denominada Iniciativa MIT para a Tecnologia e o Self, ela compartilha observações sobre o significativo impacto que a tecnologia teve em nossas vidas pessoais, na de nossos filhos e famílias. Ela também discursa sobre as noções de privacidade e o fato de que ganhamos pouco em termos de substitutos positivos para nos conectarmos às pessoas, num mundo onde as relações são mediadas por máquinas e redes.

A palestra conferida no dia 14 de maio tem como base o novo livro da professora – Alone together: technology and the Reinvention of Intimacy and Solitude, cuja publicação está prevista para janeiro de 2011, pela Basic Books”.

Para saber mais: veja o fragmento da palestra no Youtube:

*Fonte: Harvard Gazette Newsletter, 3 de junho 2010.