Não, não se trata de um novo uso para o longo clip de Lady Gaga. É apenas mais uma alternativa para quem sofre de depressão. Um estudo realizado pela Brigham Young University (EUA), e dirigido pelo psicólogo Steve Tutty, concluiu que “sessões” pelo telefone são tão eficientes quanto as visitas pessoais. O texto será publicado na edição de Junho/2010, da Revista Behavior Therapy.

Tutty e sua equipe observaram 30 pessoas que se dispuseram a substituir suas consultas por telefonemas com seus respectivos terapeutas. As chamadas variavam entre 21 e 52 minutos. Nesses casos, não havia concomitância de terapia medicamentosa. Passados 6 meses, 42% dos participantes tinham superado a depressão. Para a terapia clássica, no mesmo período, o valor comparativo é de 50%. Uma das co-autoras declarou que “A oferta de uma opção com câmera para a psicoterapia parece ser mais promissora sob o ponto de vista da eficácia, além de ser mais amigável e flexível em termos de lugar e tempo, sem falar no fato de que não possui contra indicações”.

Apesar da praticidade, essa não é uma opção universal. Para um terço dos participantes, a possibilidade não interessou. Mas para quem não vê problemas nesse tipo de consulta, os benefícios podem ir além da comodidade de ter um terapeuta na sala de estar: os custos seriam menores, e a etapa do embaraço nas salas de espera desapareceria. A amostra, como se vê, é pequena. Por isso, o estudo cita outra pesquisa onde pacientes que usavam antidepressivos incluíram consultas telefônicas à terapias. Os resultados foram semelhantes.

Há alguns anos, descobri na Itália um serviço chamado Psiconline.it – Psicologia e Psicólogos na rede. Entrevistei seu idealizador, Luigi Di Giuseppe. Ele contou que seu objetivo era ajudar as pessoas a dar um primeiro passo em direção às mudanças. Assim, oferecia consultas online. As respostas eram publicadas e podiam servir de estímulo para quem se identificasse. Em 2008 ele já tinha tido um milhão e duzentos mil acessos, obtidos por meio de 80 consultas/dia. O tema mais discutido? Sexualidade. Para as autoridades sanitárias italianas, esse tipo de serviço é apenas um aconselhamento psicológico. Mas o próprio Giuseppe admitiu não acreditar numa psicoterapia online ou à distância: “a relação direta com o paciente é da máxima importância”.

No Brasil, já existe serviço semelhante, coordenado pela psicóloga Claudia Naso, que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente. O serviço é regulado pelo Conselho Federal de Psicologia, e também não tem caráter terapêutico. Na época, Naso me disse que, no final, algumas pessoas acabam migrando para o atendimento tradicional, mas em alguns casos, só a conversa virtual resolve a questão.

O processo terapêutico, para o paciente, exige disciplina, tempo, dedicação, disponibilidade, humildade, força. Mas toda e qualquer iniciativa a favor da qualidade de vida deve ser prestigiada. Lembro que um dos mais conhecidos serviços de apoio psicológico, Centro de Valorização à Vida (CVV), também se rendeu à internet e atende as pessoas por email! Aqui, como lá, não se pode falar em terapia. Ok. Mas apenas reproduzo o que encontrei na página do CVV – o que eles oferecem aos tantos desconhecidos que precisam ser ouvidos é “apoio emocional, baseado na oferta de atenção e calor humano”.

Atenção e calor humano. Não é disso o que todo mundo precisa?

Para saber mais: Evaluating the Effectiveness of Cognitive-Behavioral Teletherapy in Depressed Adults

http://www.cvv.org.br/

http://www.psiconline.com.br/index.htm

http://www.psiconline.it/psiconline.html