Escrevo esse texto achando que o faço de forma um pouco datada. Sim, porque somente esta semana chegou às minhas mãos uma cartilha intitulada Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. O documento emana do Ministério da Saúde e é de 2006. O conteúdo, obviamente, pretende dar diretrizes para o perfeito exercício dessas práticas, o que pressupõe incentivo às pesquisas científicas, contratação de profissionais especializados, instalações e atendimento adequado aos pacientes de ambulatórios e hospitais públicos. Acupuntura, Homeopatia, Fitoterapia, Termalismo e Medicina Antroposófica são as modalidades agraciadas, mas ali poderiam estar tantas outras técnicas terapêuticas que incluem nutrição, medicina mente-corpo, estilo de vida,  comportamento etc.

Fico rindo à toa, pois a primeira vez que ouvi o termo Medicina Integrativa foi da boca do Dr. Eliot B. Cole, especialista em dor crônica. Perguntei a ele sobre o que realmente funcionava para o tratamento desse mal e ele me disse – ah, nós praticamos várias ações que envolvem uma equipe de profissionais. Uma equipe multidisciplinar?, perguntei. Então isso incluía alguma terapia alternativa? Cole respondeu: “Desculpe, nos EUA não falamos mais em terapias complementares, mas terapias integrativas. Essas técnicas agora fazem parte do que chamamos de Medicina Integrativa. Nós não sabemos o que funciona mais e melhor. Sabemos apenas que o que funciona é essa ação conjunta”.

Depois da entrevista, e no caminho do Hilton para casa, fui pensando que Madonna tinha estado ali alguns dias antes. E então dei aquele sorriso de satisfação porque, de alguma forma, a medicina clássica estava se rendendo ao inevitável. Não é possível ter todas as respostas sozinho. É preciso compartilhar. E para fazê-lo, precisamos estar abertos para ouvir o outro e aprender com ele. É na união de intenções de fazer o melhor em benefício de outrem que podemos fazer o que se conhece por bom trabalho.

Dito isso, lembro da brincadeira de um querido amigo que disse que continuo sendo católica e edificante. Ele se referia ao fato de que estudei toda a infância e juventude em uma escola católica e jamais me libertei dessas raízes. Para ele, essa é a causa da minha loucura em acreditar nas virtudes e tentar vivê-las e, claro, me torturar pela ausência delas…

Mas, então, os fatos. Virtuosa ou não, recebi neste mês uma incumbência que, na verdade, é um presente: uma seção sobre medicina complementar-integrativa na Revista Viva Saúde.  A partir de julho, todos os meses, vou escrever sobre o que, naquele dia, me deu tanta satisfação. Aí, no meio das leituras de hoje, vejo um artigo contemporâneo à publicação das diretrizes no jornal da Unicamp, que transcreve o terceiro princípio hipocrático: “quando nem os contrários nem os semelhantes curam, o que convém é o que cura”.

O atraso do tempo,  para mim, era o espaço entre o então e o poder chegar até aqui, e ver sentido naquilo que agora é mais uma tarefa. E ela só poderá ser cumprida na companhia de outros que, como eu, só conseguem trabalhar com amor.