Meu sonho de consumo no momento é um par de tênis para corrida. Consulto então os espertos da família que conhecem as mais avançadas das mais avançadas das tecnologias. A unanimidade são os Asics. Um deles, tem um nome que justifica seu preço nas alturas, Nimbus. O outro é o Kayano. Nenhum tem valor inferior a R$500,00. Ok, meus pés e joelhos merecem o melhor! O conselho dos esportistas era esperar até o final de janeiro, época em que as novas coleções aparecem e os objetos do desejo ficam mais acessíveis. Esta manhã, inicio a busca das liquidações e recebo um recado de Harvard: na impossibilidade de ter um Christian Laubotin, gaste seu dinheiro com um lindo sapato Sarah Chofakian de salto altíssimo, mesmo que não seja possível caminhar com ele.

Não entendeu nada? Bem, o professor de Biologia da Evolução Humana, Dr. Daniel Lieberman declarou que correr com os pés descalços ou com sapatos mais simples é mais salutar. Segundo uma pesquisa que uniu cientistas dos Estados Unidos, Escócia e Quênia, esse hábito diminui o impacto dos pés no chão, provoca menos lesões no calcanhar, e numa proporção muito superior àquela garantida pelo mais sofisticado tênis disponível no mercado.

A equipe de Lieberman observou três grupos distintos de corredores: os que sempre correram com os pés nus, os que sempre correram calçados e os que usavam sapatos e os dispensaram. Os resultados demonstraram que enquanto os pés descalços tendem a procurar o apoio a partir da parte dianteira do pé, apoiando-se posteriormente no calcanhar, aqueles com tênis apoiam primeiro a parte traseira do pé, submetendo-a a um impacto de colisão enorme, causador das lesões.

Nossos pés foram feitos, em parte, para correr, e durante a maior parte da história evolutiva do homem, ele praticou essa atividade descalço ou com sapatos simples, como sandálias ou mocassins, com saltos menores e pouco amortecimento. Os sapatos modernos só aparecerem na década de 1970”, explica Lieberman.

Dizer que correr com os pés descalços é perigoso e faz mal é um mito. A verdade é que, para o homem, este é o meio mais natural e seguro de praticar esse exercício, mesmo nas superfícies mais duras. Lieberman reconhece que, quem passou toda a vida correndo com sapatos não pode simplesmente dispensá-los. Há que se fazer uma transição equilibrada. Por isso, coletou informações que podem ajudar no processo de mudança desse paradigma no site http://barefootrunning.fas.harvard.edu/.

Lendo mais a fundo as declarações do cientista na Gazeta da Harvard, fiquei com algumas dúvidas importantes: como ficam os corredores de rua? Quem se arriscaria a correr pelas cidades descalço? O professor fala que a proteção da pele do pé seria a instalação de um calo. Uau! Mal posso caminhar a pé com sapatos (até os mais confortáveis), pois eles se transforma em bolhas! A solução, para mim, é um basiquinho.

Ainda resta uma pergunta: qual será a resposta dos fabricantes de tênis? No mundo das ideias, a contribuição científica é dar subsídios para o desenvolvimento de produtos que diminuam sensivelmente o elevado número de lesões repetitivas nos corredores. Mais uma vez peço ajuda às culturas milenares e invoco Lao Tsé – devemos viver a vida como se cozinha um peixe, isto é, sem exageros. Sapatos mais simples, mais baratos. Isso interessa ao mercado?

Para saber mais: Harvard Gazette

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