A notícia da ausência de Zilda Arns entre nós me tocou profundamente esta manhã. Trabalho, desprendimento, solidariedade, seriedade, dedicação a favor de milhões de desconhecidos. O objetivo era lutar pelo direito à saúde. E essa prerrogativa não tinha como premissa somente a pobreza, mas a própria vida.

Eliane Cantanhêde, na Folha de São Paulo de hoje, enfatizou as iniciativas da pediatra e também coordenadora da Pastoral da Criança da CNBB. Nas andanças por países pobres da África e da América Latina, as receitas da boa saúde requeriam ingredientes acessíveis a todos:

lavar as mãos, tomar banho, aproveitar os alimentos até o último detalhe…macerar cascas de ovos para adicionar cálcio à alimentação de pobres…mistura caseira para salvar crianças de desnutrição e desidratação…”.

As três indicações frustradas para o Prêmio Nobel, uma alusão à semelhante história de Madre Teresa, jamais macularam sua conduta. Zilda não vivia no mundo das vaidades, embora mantivesse seus ritos de feminilidade aos 75 anos.

O que a movia era a esperança. Não para si. Para os outros.

É verdade que o padrão social é sermos reconhecidos por nossos papéis e plásticos. E eles causam grande impressão em muitos ambientes. Abrem muitas portas e podem até conferir uma falsa segurança. No fundo, todos nós sabemos que esses documentos não valem nada.

Ser reconhecida com um título que atesta publicamente todo o bem que se fez, provavelmente não teria sentido para Zilda. Quem morre discursando sobre direitos humanos, longe de sua terra e do aconchego da família, sabe que o que realmente tem valor é ter consciência de que estamos fazendo o melhor que podemos. Provavelmente, os olhos brilhantes e o sorriso de cada criança salva, para ela, era um evento digno da realeza.

Para os que ficam, resta somente colocar em prática o exemplo dessa notável mulher – Não perder a esperança.