avc-isquemico29 de outubro, Dia Mundial de Combate ao AVC A convite de Renata Armas, Editora- in- Chief da Revista Viva Saúde, participei hoje de um workshop na Unicamp. A ideia era um encontro interdisciplinar com o intuito de dialogar sobre a principal causa de morte no Brasil, o AVC. Em razão de suas consequências incapacitantes, ela representa também 40% das aposentadorias por doença, mas ao que tudo indica, o problema não é prioridade no Brasil.

Me referi a um diálogo porque o encontro teve esse espírito: um bate-papo que partiu da didática explicação do Prof. Li Li Min, do departamento de Neurologia da Unicamp, sobre como e onde um AVC acontece. Depois, a Dra. Paula Teixeira Fernandes, psicóloga especializada em neurociências, comentou o impacto da doença na vida das pessoas, sem esquecer do cuidador que, de um dia para o outro, se vê numa condição que não lhe deu condições de escolha, mas com a qual se comprometerá em vários níveis, colocando em risco até a própria saúde. Em seguida, o Dr. Gabriel Rodrigues de Freitas, neurologista vascular e Presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia, enfatizou os fatores de risco e indicou quais seriam as providências que poderiam mudar drasticamente os números do AVC no Brasil: prevenção, comunicação médico-paciente.

Entretanto, as perspectivas são desoladoras. Há 14 anos, recomendações internacionais sugerem o uso de uma medicação capaz de desentupir o vaso sanguíneo obstruído, restaurando o fluxo para a região cerebral afetada. A medicação é conhecida como trombolítico e deve ser aplicada em até 4h30 após o evento, reduzindo as sequelas que eventualmente possam acontecer. Daí o jargão, tempo perdido é cérebro perdido.

O remédio já existe no Brasil, mas não está disponível no SUS (apenas 1% dos pacientes em hospitais universitários tem acesso a ele), e somente 30% dos hospitais privados disponibilizam o tratamento (portanto, fique atento para saber se seu convênio cobre esse tipo de risco). Além disso, faltam enfermarias e equipes interdisciplinares para atendimento da doença. Calma, esse não é o post sobre a Nigéria, estamos falando do Brasil, regiões sul e sudeste.

Iniciativa do ex-coordenador Geral de Urgência e Emergência (Dr. Cloer Véscia Alves), do Min. da Saúde, tentando mudar esse quadro, mobilizou o país para habilitar centros de atendimento, interligando-o ao SAMU (192). Em setembro/2009, o projeto foi interrompido.

No material distribuído para a imprensa, destaquei uma frase: “Da forma semelhante a um terremoto que antecede um tsunami, os sintomas iniciais de um AVC devem ser encarados como o anúncio de uma tragédia”. Na verdade, tenho a impressão de que, assim como diante das forças da natureza, somos reféns da trágica ausência de espírito público em nosso país. E é claro que dá desânimo ver profissionais do nível dos que se dispuseram a falar sobre o problema em Campinas  implorarem por mudanças. Mas a despeito de tudo, precisamos continuar trabalhando, escrevendo, levando informações para que as pessoas fiquem mais sabidas e, mais sabidas, possam reivindicar (à exaustão)  o direito de ter dignidade na saúde e na doença.

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