imagesHoje é dia 18 de outubro, data em que se comemora o dia do médico. Coincidência ou não, antes mesmo da publicação da reportagem sobre o empoderamento dos pacientes na Revista Isto É, tenho monitorado no tráfego de pesquisas do wordpress coisas como – o que é ser médico, relação médico paciente, ser médico hoje. Cada vez que encontro esse tipo de busca, fico pensando sobre quem são essas pessoas. Seriam jovens que desejam saber mais sobre a profissão, quem sabe algum profissional que, como descrevi no post anterior, vive um verdadeiro dilema entre seus ideais e a dura realidade?

De todo modo, queria aproveitar a oportunidade festiva para homenageá-los. Foi então que lembrei de uma entrevista que fiz com um psiquiatra italiano, Dr. Antonello Bellomo, da Universidade de Foggia. Eu estava interessada na síndrome de Burnout e ele tinha uma pesquisa sobre o assunto. Como os médicos fazem parte do grupo de risco desse distúrbio, ele finalizou nossa entrevista com as palavras que transcrevo aqui:

Os médicos têm que tomar consciência de que a única forma de superar o burnout é liberar-se de ideias mágicas e onipotentes. Isso significa que é desnecessário ser amado por todos, ou mesmo ter a simpatia irrestrita dos superiores. Outra coisa importante a entender é que ninguém precisa ser competente e ter sucesso, nem é imprescindível ocupar-se de todos os problemas: não resolver alguns deles não é uma catástrofe!

Um profissional para ser eficiente e não esgotar-se deve se sentir responsável somente por ele mesmo. Deve saber que seu trabalho é difícil e que não receberá muita ajuda. Deve saber que terá que lidar com situações e  pessoas  desagradáveis, com pontos de vista diferentes do seu. E é bom que aceite a idéia de ser absolutamente imperfeito, assim como o são todos os demais, e que renuncie à vontade de salvar o mundo, procurando apenas elaborar e realizar metas realistas, ressaltando mais os sucessos que as derrotas, focalizando-se mais nos processos que nos resultados”.

Lembrei de uma fala de Woody Allen sobre o fato de ser autocentrado e sempre querer se dar bem de alguma forma:

… pode-se também fazer a escolha de que estamos vivos, e outras pessoas estão vivas, e estamos juntos num bote salva-vidas e é preciso tentar e fazer o bote ser o mais decente possível para você e para todo mundo. E me parece que isso é muito mais moral, e até mais cristão“.

No final, o que depreendo dessas falas é que todo dia é dia de médico, de pacientes, de escritores, padeiros, vendedores…