Brain2Na última quinta-feira recebi um release de Londres sobre uma espécie de avant-première de um documentário cujo nome indico no título. Interessada no assunto, pedi à colega inglesa que nomeasse o link para o trailer. Ela contatou sua filial em Los Angeles (local do evento) e, em 24 horas, a cópia do DVD chegou em minhas mãos. Esta manhã, assisti ao filme.

O formato nos remete imediatamente ao famoso Segredo. Vários convidados, a maioria deles cientistas, discorrem sobre o poder de cura que emana das informações que levamos ao nosso corpo. A fórmula parte do pressuposto de que, se realmente acessarmos nossa fé, se mudarmos nossa forma de pensar, seremos capazes de promover uma verdadeira revolução em nosso corpo, o que levaria à superação das doenças.

A possibilidade de auto-cura evoca também a existência de campos energéticos que influenciam todo o sistema biológico e são capazes de desbancar a lógica da medicina tradicional. Um dos entusiastas dessa teoria é o Dr. Bruce Lipton, que me interessou particularmente porque é autor de um livro cujo título é The Biology of Beliave [A biologia do crer – penso que no Brasil seria melhor A biologia da Fé, mas a palavra nos remete à questão religiosa. Penso que a melhor tradução seria – Como as crenças influenciam a biologia]. Bem, esse médico afirma:

Genes e DNA não controlam nossa biologia. Ao contrário, nosso DNA é controlado por sinais existentes fora das células, o que inclui as mensagens emanadas de nossos pensamentos negativos ou positivos. Essas conclusões têm como base as mais modernas pesquisas sobre biologia celular e física quântica, que demonstram que nossos organismos podem ser mudados se reprogramarmos nossa forma de pensar.

No filme, Lipton diz que o que se pensa hoje é que a genética predispõe ao câncer. Mas há casos de crianças adotadas que, por terem sido inseridas numa dinâmica (leia-se – campo energético) familiar cuja crença é a predisposição à doença, correm  também o risco de adoecer, independentemente do fato de que, em seus históricos genéticos, nunca tenha havido um caso de câncer.

Há um outro cientista, James L. Oschman, autor de um livro Energy Medicine, The Scientific Basis [Medicina Energética – as bases científicas], cujo objetivo é explicar o efeito das forças energéticas na manutenção da saúde e do bem estar que, historicamente, têm sido utilizadas pelo homem desde 2750 a.C., quando os doentes eram tratados com o choque elétrico produzido por enguias.

O documentário corre o risco de ser banalizado porque não temos acesso a informações importantes como maiores evidências científicas. Mas seu mérito talvez seja abrir espaço para discussões, observações. Fazer as pessoas pensarem sobre a importância de uma política de saúde e não para a doença. Outra coisa interessante é dar acesso à prática da famosa máxima – conhece a ti mesmo: a saúde é responsabilidade de cada um. Não se trata apenas de fazer visitas médicas anualmente e levar uma vida saudável. Trata-se de ter um sintoma e imediatamente olhar para ele para entender o que, talvez, seja sua real causa. Isso implica em saber que o consciente tem várias esferas e podemos estar sendo meros reféns.

Eu não saberia dizer se a medicina tradicional está em crise como o filme deseja pontificar. Vejo apenas que as estatísticas sobre doenças continuam a crescer. O número de pessoas sem acesso à saúde pública ou privada também. Médicos são os profissionais mais acometidos pelo exaurimento e desânimo profissionais. Talvez, girar a cabeça, e ouvir mais de perto o que as terapias alternativas têm a dizer seja uma atitude que levará a soluções mais econômicas e humanas e  menos invasivas.

Se isso parece difícil de entender com a lógica, lembro que houve um tempo em que homeopatia, acupuntura e ioga eram disciplinas estranhas ao mundo da saúde pública. Hoje, nem tanto.

Encerro meu post com a frase do Dr. Salmo Raskin, especialista em genética médica, que afirmou que ser cético limita a compreensão da vida e dos fenômenos metafísicos ou religiosos:

Quanto mais experiente for o médico, maior será a evidência de que nem tudo pode ser explicado pela lógica ou pelos livros de medicina.

Para saber mais, veja o trailer do filme em:

http://www.thelivingmatrixmovie.com/trailer