panaxSe tivéssemos que falar sobre os vários diferentes sintomas da menopausa, o elenco seria enorme. Eles partem dos problemas psico-emocionais (ansiedade, depressão, perda da memória), cardiovasculares e vegetativos (palpitações, calores, sudorese, insônia etc.), e vão até os distúrbios urinários (aumento da vulnerabilidade às infecções, incontinência, alterações na frequência das micções) e ginecológicos (prurido vaginal, corrimentos, dor na relação sexual etc.). Entre os tantos distúrbios, há também a diminuição do desejo sexual, que pode ocorrer desde a pré-menopausa.

Apesar do longo rol de sintomas, eles podem variar de mulher para mulher e em relação à sua gravidade e persistência. De todo modo, esses aspectos são consequência das modificações produzidas pelos estrógenos – os hormônios sexuais femininos – que caracterizam fisiologicamente essa fase da vida da mulher.

Assim, em tese, não haveria muito sentido intervir sobre um distúrbio específico, seja a queda da libido, as ondas de calor e palpitações ou, ao menos, essa não deveria ser nossa primeira estratégia. O tratamento deve seguir uma lógica do tipo causal, isto é, deverá agir, de um modo ou de outro, sobre as alterações da produção hormonal.

Na maioria das vezes, para as mulheres em pré-menopausa, a medicina convencional propõe a terapia de reposição hormonal. A naturopatia, ao invés de indicar o uso de estrógenos num organismo onde os tecidos já foram estimulados ao longo de várias décadas, sugere-se o consumo de produtos à base de fitoestrógenos. Estes, são substâncias naturais presentes em diversas espécies vegetais que, no organismo humano, se comportam exatamente como os estrógenos, embora não sejam hormônios. A vantagem é que não causam efeitos adversos. Os fitoestrógenos são úteis em todas as etapas da vida feminina, inclusive a fértil.

Entre as plantas com essas características, é de especial interesse um remédio que age até sobre a diminuição da libido. Trata-se do ginseng (Panax ginseng), que não funciona apenas de forma similar aos estrógenos naturais, mas também possui a capacidade de revitalizar a sexualidade, sem mencionar uma série de outros efeitos benéficos para o climatério e a menopausa, tais como a melhora da sensação de cansaço e do humor. Dosagens, tipos e duração do tratamento devem ser avaliados atentamente por especialistas qualificados, para evitar reações indesejáveis que eventualmente essa planta possa causar em algumas pessoas.

É indicado também na menopausa a associação de oligoelementos (microminerais) como zinco e cobre, úteis no reequilíbrio das descompensações hipófiso-genital.

Por outro lado, tratar as ações dos estrógenos não é a única forma de combater os distúrbios típicos da menopausa. Na verdade, é forte o peso dos fatores sócio-culturais nessa experiência física e existem culturas que a enfrentam de forma diferente.

No ocidente e, em geral, no mundo industrializado, que fazem da beleza e da juventude um ícone, um produto de marketing, o processo de envelhecimento e aqueles que o vivenciam são vistos com desgosto insuportável e com desprezo. A consequência direta disso é a mudança do papel familiar e social da mulher que, deixando de ser fértil, experimenta uma modificação na percepção de si mesma e em níveis mais ou menos subliminares.

Mas isso não ocorre em algumas das culturas tradicionais, onde as mulheres sentem orgulho de chegar à menopausa, um evento que lhes confere consideração e mais respeito. Para muitos povos, chegar a esse ponto da vida é tido como uma bênção divina, uma aquisição de sabedoria. Surpreendentemente, em tais culturas, como a dos índios Maya, as mulheres na menopausa não apresentam nenhum sintoma, e há baixíssimos índices de osteoporose.

Portanto, o contexto cultural influencia diretamente o aparecimento dos sintomas da menopausa: se o comportamento da sociedade é negativo, os distúrbios são muito frequentes e diminuem significativamente a qualidade de vida das mulheres. Se, ao contrário, a consideração é positiva, os sintomas são leves ou até mesmo ausentes e a menopausa é somente um ponto entre o antes e o depois. Isso nos convida à reflexão.

Tomar os fitoestrógenos é uma ótima ideia. Adotar um estilo de vida inspirado nos preceitos da naturopatia (alimentação correta, atividade física moderada etc.), pode levá-las longe. Mas talvez exista algo mais importante que as mulheres devam fazer: precisam se valorizar mais e não aceitar preconceitos.

GUEST BLOGGER: Luca Avoledo, Doutor em Ciências Naturais, naturopata, iridólogo e especialista em ecologia do corpo, nutrição e saúde natural. Para saber mais:

http://www.studiodinaturopatia.it/prima.html

http://guide.supereva.it/naturopatia

Menopause: social construction or biological destiny?

Menopause without symptoms. The endocrinology of menopause among rural Mayan Indians