moneyCaros, esta manhã, o editorial da Folha de São Paulo alerta para mais uma tentativa do governo federal em retomar a CPMF, tributo outrora criado para melhorar os serviços da Saúde. PMDB e PT teriam fechado acordo para criar a Contribuição Social para a Saúde (CSS).

Em meio às notícias sobre como o dinheiro público é gasto neste país, mais uma vez o contribuinte deve ser o responsável pela solução de problemas que são de toda comunidade, é verdade, mas dos quais já tem participado com uma carga tributária que lhe golpeia todos os flancos.

A verdade é que ninguém, em sã consciência, se negaria a ser parceiro do Estado, pagando mais um imposto, desde que tivesse a certeza da chamada contra-partida. Entretanto, vejamos como o dinheiro público é usado na cidade de São Paulo. Apesar de todo imposto predial arrecadado,  não podemos usufruir da beleza de muitas praças dado seu completo estado de abandono. É difícil ver crianças brincando em um parque público em balanços, trepa-trepas, etc..  Apesar do imposto para circulação de automóveis (e sabemos quantos carros a cidade possui hoje), vias importantes que ligam bairros distantes ao centro estão completamente esburacadas. O que adoro chamar de centro histórico de São Paulo (em qualquer lugar do mundo, essa parte da cidade em especial é preservada como um tesouro!) se transformou em banheiro ao ar livre (não posso chamar de público).

Se você precisa atravessar o Vale do Anhagabaú, o Viaduto Santa Ifigênia, ou quem sabe, planeja apreciar a escultura de Carlos Gomes ao lado do Teatro Municipal, prepare-se para tapar o nariz e fechar os olhos: o que testemunhará é o desaparecimento dos bens públicos.

Ao invés de impor ao cidadão mais um peso tributário do qual não se terá controle algum, como foi o caso da CPMF, talvez o governo devesse instituir um favor legal, por meio dos incentivos fiscais, exatamente como se faz com a cultura. Obviamente, já que o dinheiro sai do bolso do contribuinte, ele tem o direito sacrossanto de escolher para qual hospital ou instituição de saúde daria sua contribuição.

Em tempos de Vale-cultura, proponho um Vale-saúde. Se a população tivesse algum meio de controle do próprio dinheiro utilizado para o bem comum, tenho certeza de que não faltariam materiais de primeira necessidade nesses locais, as filas seriam menores, as pessoas trabalhariam mais felizes e a saúde de seres humanos teria um tratamento mais digno.

Que os impostos venham, se forem para estimular o espírito público e aproveitar a todos. Mas que eles tenham mecanismos de controle sérios e confiáveis. Não foi o New York Times que criou um mecanismo de controle de todos os atos parlamentares via internet? Que tal mecanismos de controle do dinheiro público via internet? Wallll, para isso, todos teriam que ter acesso a um computador… Mas isso já é outra história.