AKWEK8Coincidência ou não, no início do ano, lá na Itália, eu já estava trabalhando em uma matéria sobre a gripe. Queríamos publicá-la no início do outono, época em que as temperaturas começam a cair e propiciam a disseminação dos vírus da gripe. Foi então que entrevistei a Dra. Terezinha de Paiva, especialista em microbiologia médica e pesquisadora do Instituto Adolfo Lutz. Ela também é diretora de um dos Centros Nacionais de Influenza coordenados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Entre as tantas pesquisas que fiz para compor o texto, encontrei dados impressionantes (EUA) sobre a necessidade de hospitalização de 200 mil pessoas e 36 mil óbitos anuais, tudo por causa das complicações decorrentes da gripe. As estatísticas globais somam 1 bilhão de doentes, 3 a 5 milhões de casos graves e 300-500 mil mortes todos os anos.

Considerando essas informações oficiais, achei um exagero toda a comoção diante dos fatos atuais e, mesmo agora, pensando sobre o número de mortes noticiado ontem pelo Ministro da Saúde (192 pessoas), estaríamos voando em céu de brigadeiro, principalmente porque, como ponderou aquela autoridade, “temos dois vírus circulando: o da gripe sazonal e o H1N1… a impressão que os especialistas têm é que há uma competição entre os dois vírus, e o novo vírus está se disseminando com rapidez e 77% dos casos de Síndrome Respiratória detectados pelo SUS já são causados pelo novo vírus…”.

Ok. Confesso que comecei a me preocupar realmente quando voltei a procurar a Dra. Terezinha para nova entrevista. Depois de inúmeras tentativas, apesar de sua disponibilidade, ela pouco pôde falar porque, juntamente com sua equipe, tem trabalhado até as 22h00 todos os dias, tamanha a demanda de trabalho laboratorial. Outro fator preocupante foi o comunicado emanado de uma das instituições mais respeitadas no meio médico, a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), noticiando no final de julho a decisão de adiamento do início das aulas. O efeito cascata foi imediato em grande parte da rede de ensino.

As 192 mortes seriam um grão de areia diante de uma população de 190 milhões de pessoas. Mas o detalhe assustador é a completa falta de credibilidade das autoridades brasileiras. Sabemos da existência do mundo da miséria, onde condições básicas de higiene e saúde são uma quimera. Sabemos da falta de recursos para o controle da saúde pública nas situações mais corriqueiras do que uma pandemia de gripe. Isso sim aterroriza. Posso parecer-lhes pouco otimista. Mas dá para acreditar nessas declarações?

Uma  das funções do Estado é atender ou satisfazer as necessidades da população, sejam elas no âmbito geral, coletivo ou humano. Esta ação deveria se fundamentar num tripé bastante discutido nos manuais de política: garantia de segurança à sociedade (!!!), proteção da injustiça e opressão (!!!), além da construção e manutenção de instituições públicas indispensáveis e fundamentais para o bem estar comum (!!!).

Enquanto o interesse público e milhões de reais somem pela tubulação dos esgotos dos prédios estatais, a solução é distribuir máscaras cujo prazo de validade são apenas duas horas… Parafraseando Woody Allen, nós seríamos tão felizes se fossemos felizes!

Então, caros amigos, a defesa da gripe suína agora é com vocês. Cada um por si, feito homens das cavernas. Como a melhor forma de prevenir a gripe é a vacinação e esta ainda não está disponível, hábitos saudáveis como cobrir a boca quando tossir ou lavar as mãos, ajudam na prevenção de doenças respiratórias. Na ausência da tutela de nossos direitos, vale a pena repetir o senso comum*:

1. Evite contato pessoal – Evite ficar próximo de quem está doente. Quando você estiver gripado, mantenha distância das pessoas para protegê-las.

2. Fique em casa – Se possível, fique longe do trabalho, escola e das obrigações quando você estiver doente. Essa é uma atitude preventiva que ajudará a não disseminar o vírus.

3. Cubra sua boca e nariz – Quando for tossir ou espirrar, cubra sua boca e seu nariz. Isso evita que as pessoas próximas fiquem expostas à gripe.

4. Lave suas mãos – Lavar as mãos ajuda a protegê-la dos germes.

5. Evite tocar seus olhos, nariz e boca – Os germes muitas vezes se propagam quando uma pessoa toca algo que está contaminado com germes e depois toca os olhos, nariz ou a boca.

6. Cultive outros bons hábitos – Durma bem, esteja fisicamente ativo, administre seu estresse, tome bastante líquido e coma alimentos nutritivos.

*Adaptado do Center for Desease Control and Prevention (CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças), dos EUA.