9780312533878xSabe aquela antiga história sobre futuros maridos e pais que levavam jovens ao ginecologista para certificar sua virgindade? Pois é, pode ser que muitos deles tenham sido enganados por toda uma vida! Ao menos é isso o que se conclui das afirmações dos cientistas do nosso tempo: mesmo para um especialista, pode ser difícil atestar com certeza absoluta se uma mulher tem vida sexual ativa ou não.

Segundo Aaron Carrol e Rachel Vreeman, da Escola de Medicina da Universidade de Indiana (EUA), autores do recém lançado livro Don’t Swallow Your Gum!: Myths, Half-Truths, and Outright Lies About Your Body and Health [Não engula seu chiclete! Mitos, meias-verdades e mentiras absolutas sobre seu corpo e sua saúde, Ed. Macmillan – Griffin, sem tradução para o port.], existem alguns mitos que até os médicos acreditam.

Eu já tinha visto um livro semelhante publicado em francês, mas esse chama a atenção porque é o resultado de uma pesquisa científica dirigida pelos autores. A obra desvenda várias crenças sobre contrair e tratar doenças, sexo e gravidez, o que se come e o que se bebe, até mitos que sempre inspiram controvérsias entre os doutores.

Uma coisa que eu não sabia é que é possível engravidar mesmo durante o ciclo menstrual. Na verdade, nunca tinha pensado na explicação dada pelos autores: “os casais que desejam ter um filho devem saber que os espermatozóides mantém a capacidade de fecundar um óvulo por uma semana. Mesmo durante o ciclo menstrual, portanto, é bom não descuidar dos próprios métodos anticoncepcionais”.

Não posso deixar de citar o mito que abre o livro: homens com pés grandes possuem o órgão sexual de tamanho equivalente? Os autores explicam que, nos mamíferos, o que determina o tamanho de dedos, rabos e outras coisas é um gene denominado Hox. Entretanto, “apesar das similitudes do controle genético dessas protuberâncias, homens com pés grandes, não necessariamente têm membros grandes”, afirmam os especialistas.

As pesquisas sobre o assunto primeiro analisaram 60 homens que, no início, indicaram uma ligeira, mas estatisticamente relevante, relação entre o pênis, o peso corporal e o tamanho do pé. Nesse ponto da leitura os autores, então, alertam: “lembrem-se, estatisticamente significante não é significante na vida real”. Segue-se novo estudo, agora com 104 pessoas: nenhuma relação entre uma coisa e outra. Depois, sobreveio avaliação maior com 3.100 homens… nada! Os autores encerram o assunto dizendo: “você pode olhar o quanto quiser para as mãos e os pés de um homem, mas eles não podem dizer nada sobre ele”.

Pergunto: será que é isso mesmo o que queremos saber sobre alguém que nos interessa? A resposta a essa pergunta talvez seja o motivo pelo qual o maior estudo jamais foi publicado numa revista científica.

Para saber maisMedical myths: http://www.bmj.com/cgi/content/full/335/7633/1288

Para saber mais sobre os autores – http://chppr.iupui.edu/aboutus/staff.html