78464424Duas notícias sobre a saúde das mulheres me chamaram a atenção nesta semana. Isso porque elas confirmam cientificamente que o feminino, subjugado por um mundo excessivamente patriarcal e masculino, está mesmo evoluindo e, realmente, pode nos levar a um maior equilíbrio.

A primeira das notícias é sobre o exame Papa-Nicolau. Estudos realizados na Holanda e Dinamarca, publicados pelo British Medical Journal, revelaram que o teste deve ser feito por todas as mulheres acima dos 50 anos, mesmo que até essa idade seus exames tenham tido resultado negativo.

Conforme os pesquisadores, o risco de câncer de útero não desaparece após essa idade, mas muitas mulheres acabam diminuindo a regularidade de suas consultas. Para afastar qualquer possibilidade de negligência, é preciso lembrar às jovens senhoras de que o carcinoma do colo de útero é uma doença ligada à atividade sexual. A advertência dos pesquisadores é que, diferentemente do que acontecia no passado, se uma mulher é sexualmente ativa depois dos 50 anos, corre o mesmo risco que as mulheres mais jovens.

Essa conclusão vem de encontro com uma conversa que tive com  um grupo de mulheres que, tendo atravessado a menopausa, tinham vida sexual  regular e satisfatória. E mais, talvez, a menopausa, no passado, tenha sido uma boa desculpa para se livrar de parceiros não muito agradáveis, aos quais a mulher se mantinha ligada por várias questões, menos por amor…

Segunda notícia: a Organização Não Governamental inglesa, The Cochrane Collaboration, que  divulga informações e estudos científicos sobre saúde, acaba de publicar os resultados de uma pesquisa sobre o trabalho de parto. Segundo os pesquisadores, durante essa fase, é aconselhável que as mães não fiquem deitadas. A posição na vertical ou de joelhos diminui esse trabalho em pelo menos uma hora, e reduz em 17% a necessidade de intervenções médicas.

O estudo confirma ainda que “a posição ereta favorece a descida do bebê por causa da gravidade, promovendo uma dilatação mais natural”. Além disso, “as grandes veias situadas abaixo do útero não são comprimidas, situação que, além de favorecer o fluxo sanguíneo paro o bebê, ainda melhora a eficácia das dilatações”. O conjunto desses elementos reduz a possibilidade de complicações para o bebê e garante para a mãe um efeito analgésico, diminuindo a necessidade do chamado corte de alívio (episiotomia) e o uso da oxitocina (estimulante das contrações). Apesar dessas conclusões, quase sempre as mulheres ficam deitadas. Entretanto, a posição facilita apenas as manobras médicas e obstétricas.

Que bom que agora sabemos disso e podemos argumentar com dados científicos e escolher o que é melhor para nós!

Conheça a Cochrane Collaboration: http://www.cochrane.org/