85835557Na semana do dia das Mães uma notícia sobre o desejo pela maternidade. Você já ouvir falar da Ansiedade da Cegonha? Por volta dos 32 anos, realizados os sonhos acadêmicos e profissionais, a natureza lembra as mulheres de que elas foram projetadas para serem mães.

A síndrome se manifesta após as primeiras tentativas sem sucesso e acomete quatro entre dez mulheres. Após os 35 anos, o número aumenta para oito. Como a natureza nem sempre atende às urgências femininas, inicia-se um quadro onde medo e tensão passam a fazer parte do cotidiano da mulher.

Conforme Massimo Moscarini, da Clínica Ginecológica da Universidade La Sapienza de Roma, “a ansiedade de ter um filho explode após três meses de tentativas e pode se tornar perigosa porque o medo de não conseguir engravidar cria uma tensão que não ajuda em nada na concepção”. E acrescenta, “além disso, após os 32 anos, as mulheres nem sempre estão dispostas a esperar. A consequência é que desejam se submeter a exames, até aos mais invasivos, para terem a certeza de que são férteis”.

O especialista italiano afirma que essa atitude feminina pode “medicalizar” demais a gravidez, o que é desnecessário: muitas vezes, um simples exame de sangue seria o suficiente para avaliar as condições dos ovários.

Sem desmerecer a importância da participação masculina na concepção e educação dos filhos, a maternidade para as mulheres é o primeiro contato concreto com os mistérios da vida. Quem não acredita em milagres, pode ficar perplexo diante da perfeição do pequeno corpo de um bebê. Antes de conceber, os sentidos são meros coadjuvantes funcionais. Após o nascimento, nos colocam em contato com nossos instintos mais primitivos. O som do choro do próprio filho pode ser ouvido e identificado entre dezenas de outros recém-nascidos e o primeiro gemido no quarto ao lado pode ser mais potente do que um despertador.

O cheiro do suor de um bebê jamais é esquecido e as suaves carícias nos seios que alimentam é o que nos consola diante do desconforto inicial da amamentação. Poder testemunhar dia após dia o desenvolvimento de um ser humano, aprendendo, errando, ensinando, acertando, é uma das experiências mais espetaculares desta vida. A perspectiva de não poder vivenciar isso pode mesmo ser devastadora. Mas se as tentativas falharem e a  natureza não ajudar, podemos sempre encontrar outros jeitos de sermos mães. Se tivermos sorte, iniciaremos pelo encontro da grande mãe que existe em cada uma de nós.