dv1103010Cada vez que o calendário me avisa que é Carnaval, retorno aos tempos da infância, quando minha avó, costureira, fazia fantasias para as meninas da família. Nunca sabíamos qual personagem seríamos naquele ano e isso gerava em nós um estresse positivo. No final, fosse o que fosse, seríamos odaliscas, havaianas, indiazinhas felizes, prontas para aproveitar a matinê do domingo, e para a qual nos reunívamos, esperando a mais carnavalesca entre nossas tias. Festeira convicta, ela tentava inspirar em alguma de nós o mesmo espírito. Por isso, chovesse ou fizesse sol, era ela quem nos acompanhava para algumas horas de folia no clube da cidade. Ainda tenho na memória o coro de algumas marchinhas que falavam de loirinhas, mulatas bossa nova, cabeleiras e carecas.

Enquanto me esforço para ser contaminada pela mídia, desejando acreditar que o carnaval seja realmente o maior espetáculo da terra, leio uma notícia sobre a relação existente entre estresse e calvície. O medo de perder o emprego, a preocupação de não conseguir pagar as contas no final do mês, temas cada vez mais presentes na vida de todos, provocam a queda excessiva de cabelos.

O fenômeno, obviamente, não muda conforme o gênero, já que as mulheres tem estado ombro a ombro com os homens na luta pela sobrevivência, e em alguns casos com ligeira vantagem. Entretanto, a maior concentração hormonal (testosterona e cortisol, este último ligado ao estresse), ataca as raízes dos cabelos e essas acabam sendo prejudicadas. Estudiosos de uma universidade na Alemanha explicam que, diante das dificuldades econômicas, o corpo responde com uma reação hormonal que contribui fortemente para a calvície.

Não pude evitar e acabei rindo sozinha. Se os especialistas alemães estão corretos, homens calvos seriam os mais preocupados com a situação atual… e, assim, isso poderia indicar eventualmente um (excessivo) senso de responsabilidade, característica do caráter não desprezível , seja para homens que para mulheres.

O coro da marchinha carnavalesca ecoou lá no fundo da cabeça: “… pois na hora do aperto, é dos carecas que elas gostam mais!”