81980861Uma das coisas que mais me surpreende na TV italiana é a maciça publicidade sobre medicamentos. Junto aos perfumes e carros de todo o tipo, agora produtos contra o bruxismo, adesivos para herpes labial, sprays para garganta e vários Serenus da vida que relaxam e garantem bom humor, sono e qualidade de vida.

Se é verdade que o consumidor consome porque pensa que precisa fazê-lo diante da força das campanhas publicitárias, um estudo publicado no British Medical Journal pede a palavra para dizer que estamos exagerando com a medicação ministrada às crianças. Isso já seria espantoso, não fosse outra constatação da pesquisa: os remédios são usados para fins diversos para os quais foram concebidos!

A pesquisa abrangeu 675 mil infantes italianos, holandeses e ingleses, mas um sistema organizado para o recolhimento de dados epidemiológicos, visando pesquisas clínicas (www.pedianet.it), já monitora as receitas de 150 pediatras desde o ano de 2000. Descobriu-se que, só entre os italianos, crianças abaixo dos 2 anos são as que mais consomem remédios: uma em cada duas toma ao menos um antibiótico por ano, e um em cada três usa remédios para doenças respiratórias e dermatológicas, muita cortisona e derivados.

Obviamente esses dados não incluem os remédios vendidos sem receita e à disposição nas farmácias contra resfriados, tosse e febre. Isso significa que o uso desses produtos são muito mais elevados do que se imagina. Lembro que apenas 30% dos medicamentos à venda são indicados para crianças, o que justifica a conclusão de que muitos deles são usados indevidamente, diminuindo a dose justa para um adulto.

Cética em relação às farmácias caseiras, quase nunca tive sequer um analgésico estocado em casa e sempre tive que sair correndo atrás de uma aspirina. Por muito tempo pensei que esse fato fosse apenas herança de minha mãe, que detestava dar remédios às próprias filhas. Hoje, me orgulho de ter sempre estado atenta à alimentação e ao sono de meus pequenos e, ao longo de suas vidas, ter feito o uso de antibióticos não mais do que quatro vezes. Talvez tenha sido apenas sorte ou uma boa genética. Mas prefiro acreditar que cuidados simples podem evitar grandes problemas de saúde.