barackobamacrying1Um dia tive uma gripe muito forte, cuja febre me levou a um ligeiro delírio: me vi na rampa do Palácio do Planalto em Brasília e a pergunta que me veio foi: por que estou sonhando com os Dragões da Independência? Ali, no sonho, percebi que estava realmente mal e decidi ir direto para o Pronto-Socorro. Talvez seja essa a razão pela qual quando vi o presidente Lula tomando posse, subindo a mesma rampa de meu sonho e chorando sob os olhares respeitosos dos cadetes de honra, vi naquela pessoa uma humanidade que às vezes não percebemos no outro. Torci sinceramente para que os dias que viessem fossem dias de mudança.

Hoje, porém, é 20 de janeiro de 2009, dia da grande festa da posse do Presidente Barack Obama. E penso que será difícil não vê-lo emocionado diante de uma Washington tomada por pessoas que desejam ser testemunhas da esperança que ele representa. Chorar será inevitável, e não seria a primeira vez que o presidente americano eleito o fez em público. Em novembro passado, no dia da morte de sua avó de 86 anos, o homem-presidente se deixou fotografar chorando: aquela senhora não estaria ao seu lado nesse dia inesquecível.

Quem sabe agora os homens possam chorar mais, já que um recente estudo da Universidade de Minnesota, conduzido por William Frey, concluiu que chorar é um sistema natural para o equilíbrio do bem estar físico e psicológico; suas pesquisas revelaram que nove entre dez pessoas se sentem melhor após um bom “choro”, o que faz com que 88,8% delas declarem que o humor melhora sensivelmente depois disso.

Na verdade, chorar faz parte da vida de todo mundo e a cada ano uma mulher pode chorar 47 vezes, enquanto um homem chorará somente sete… Não se sabe ainda a causa fisiológica do choro, isto é, não se sabe porque choramos. As especulações levam ao fato de que as lágrimas se relacionam aos mesmos fundamentos pelos quais rimos ou sentimos raiva. Sabe-se apenas que, quando sorrimos, a circulação de nosso sangue melhora, há uma redução do nível de estresse hormonal, o que ajuda o sistema imunitário.

Baseando-se nas conclusões de seus estudos, William Frey arriscou uma explicação que ele batizou de Teoria da Cura (Ricovery Theory) e o fez partindo da descoberta de que as lágrimas decorrentes de dor ou forte emoção, as chamadas lágrimas emocionais, são quimicamente diferentes daquelas provocadas por estímulos não emotivos, como quando descascamos uma cebola. Segundo o pesquisador, o primeiro tipo de lágrima teria a função de restituir ao corpo equilíbrio e bem estar que se perderam diante da situação estressante. Sentir-se melhor depois das lágrimas seria o resultado de termos nos liberado de alguma coisa que nos fazia mal. As substâncias químicas nocivas produzidas pelo estresse seriam então “lavadas”, evitando a contenção, o que poderia aumentar o risco de enfarte ou danos cerebrais. A capacidade de chorar, então, permitiria a nossa sobrevivência.

Barack Obama não precisa ter vergonha de chorar. Hoje, elas ajudarão o coração a suportar uma emoção do tamanho do universo. No futuro, talvez longe das câmeras e atrás de portas devidamente vigiadas por seguranças escrupulosamente treinados, elas permitirão que ele se lembre de que é possível sobreviver à avalanche de pressões que ainda estão por vir.