76536550A maioria das pessoas que procura ajuda terapêutica alegando ter medo de dirigir é habilitada (90%). Muitas delas possuem carro próprio ou têm acesso a ele em casa. O Detran já as autorizou a dirigir, mas são elas que não se autorizam, pois se sentem incapazes e inadequadas. Apesar dessa dificuldade, geralmente são pessoas que fazem outras atividades até mais difíceis do que guiar um carro.

A ansiedade e o medo de dirigir compreendem diversas preocupações como: gerenciar o ato de guiar (parte interna do veículo) e o trânsito (parte externa); evitar acidentes ou que o carro volte na rampa; saber se há espaço suficiente entre um carro e outro; fazer parte do tráfego sem atrapalhar; estacionar; a opinião alheia sobre seu  desempenho, deixar o carro morrer etc..

Pesquisando o medo de dirigir por mais de duas décadas, a psicóloga Neuza Corassa concluiu que a manifestação da ansiedade antecipatória aparece quando as pessoas pensam em sair dirigindo e até decidir fazê-lo, a dificuldade pode atingir dimensões insuportáveis. Segundo Corassa, há um aspecto perfeccionista no comportamento global dos fóbicos, o qual indica extremo cuidado e apego às regras sociais, preocupação com a manutenção de organização e certa rigidez de valores, apresentando um senso de responsabilidade social aguçado e dificuldade de enfrentar críticas.

Geralmente, o medo de pensar em dirigir é maior que o medo de dirigir, e quando a pessoa senta no carro, a dificuldade diminui significativamente. O que acontece é que, para quem sofre dessa fobia, é difícil relembrar os erros sem interpretá-los como fracasso. O erro, então, não é visto como uma etapa da aprendizagem e, assim, a pessoa revive cada fase com sofrimento, se recriminando e punindo, situação que leva à recusa em dirigir, por medo de errar ou da situação que a levou ao erro.

Existem algumas técnicas psicoterápicas para superar o medo de dirigir. Para mim, a Terapia Cognitivo-Comportamental é bastante eficiente, pois propõe mudanças nas formas de pensar e nas crenças, muitas vezes distorcidas e inadequadas em relação à cognição do tipo lógico-realista. Outra boa estratégia é a prática de técnicas comportamentais no carro, onde a pessoa é estimulada ao enfrentamento progressivo na companhia de um instrutor ou qualquer outra pessoa, amiga ou familiar. O tratamento, dependendo do caso, é bastante breve, e pode durar em torno de dois ou três meses de terapia, com resultados plenamente satisfatórios.

Dicas para superar o medo de dirigir:

1. Comece devagar – Inicie dirigindo por pequenos trechos, que pode ser o quarteirão de sua casa, ir à sorveteria mais próxima. Se for necessário, faça algumas paradas técnicas para ter certeza que o medo não vai impedi-lo de continuar.

2. Ouça sua música favorita enquanto dirige – A música ajuda a melhorar o humor e pode baixar os níveis de estresse.

3. Encontre um co-piloto – Fazer as coisas em companhia de outra pessoa diminui a sensação de medo. Isso pode ajudar a aumentar sua confiança além de ser uma oportunidade de sociabilização.

4. Respire fundo – Se estiver dirigindo e começar a ter os típicos sintomas da fobia (sudorese, dor de estômago, enjôo), respire fundo. Respire e inspire profundamente, pois isso regularizará o batimento cardíaco e ajudará a relaxar.

GUEST BLOGGERMárcia Copetti é psicóloga especializada em Terapia Cognitivo Comportamental e atua em Novo Hamburgo (RS).

Para saber mais: http://marciacopetti.com.br/