Quando paramos de nos movimentar, não apenas aumentamos os riscos de morte ou doenças, mas deixamos de viver e evoluir. Estacionando literalmente o corpo e a vida no tempo, fazemos força para estar no fluxo contrário do rio biológico da vida que nos empurra sempre para o amanhã, à evolução e ao novo aprendizado.

A prática da atividade física tem sido reconhecida como benéfica tanto do ponto de vista fisiológico como psicológico, e alguns de seus efeitos comprovados são a redução do risco de morte prematura por doenças cardiovasculares, o diabetes do tipo II, a pressão arterial em hipertensos, assim como estados de depressão e ansiedade, dentre outros.

Apesar disso, estudos ainda continuam mostrando que mais da metade da população permanece sedentária. E o que isso significa?

Com origem no latim sedentarius, a palavra sedentário é definida como um estado de ocupação na qual se trabalha sentado, também se referindo àquele que não se movimenta muito ou que anda e se exercita pouco. Freqüentemente associado aos extremos da doença ou dos corpos atléticos, ser sedentário, ou simplesmente deixar de se mover, pode ser algo muito maior.

Estudiosos da psicologia ecológica como Urien Bronfenbrenner e James Gibson, afirmam em suas teorias que é através da interação do ser-humano com o ambiente e dos ciclos ininterruptos de ação-percepção-ação que o desenvolvimento humano ocorre.

Sob o ponto de vista da Motricidade Humana, o Prof. PhD. Manoel Sérgio, filósofo do esporte, diz que o homem é um apelo à transcendência e, como tal, um ser práxico que, na totalidade corpo-alma-natureza-sociedade e pela motricidade, procura transcender e transcender-se, visando o Absoluto.

Muitas vezes nossa vida estaciona em diferentes aspectos e não percebemos a razão pela qual parecemos estar vivendo sempre os mesmos dias cansativos e mecanizados. Buscamos compensações nos relacionamentos, na comida, nas compras… mas não fazemos o que a ciência e a vida nos apontam como caminho e solução: temos medo de mudar, de nos movimentar.

Portanto, quando você estiver em dúvida sobre fazer ou não aquela caminhada diária de 30 minutos, reflita que estar sentado é muito mais do que simplesmente estar sentado. Faça da atividade física algo maior do que cumprir uma tarefa!

Caminhe, respire, busque, pense, reflita, observe, interaja e coloque o corpo em movimento. Dê a você mesmo a chance de evoluir e descobrir um mundo diferente.

Talvez isso seja vida.

* Este post foi originalmente publicado em dezembro de 2008. Mas é minha homenagem à Cris, que já não vive no Brasil, mas nesta semana teve seu primeiro artigo científico sobre o tema publicado. Sucesso querida! Sempre!

GUEST BLOGGERCris Fonseca é Bel. em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo e pós-graduanda em Metodologia do Treinamento e Aprendizagem no FUTSAL e Futebol pela Universidade Gama Filho. Encerrou sua carreira de atleta profissional pela equipe de futebol feminino do Santos Futebol Clube, após atuar como jogadora de futebol e FUTSAL em ligas profissionais e universitárias.

The Role of Ecological Constraints on Expertise Development,  in Talent Development&Excellence, Vol 2, N.2, 2010, 165-179.

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